Família busca PCDF após morte de parente em clínica de reabilitação

Prontuário só teria sido entregue 2 depois e história contada à família é diferente da relatada por médicos que fizeram atendimento

atualizado 05/02/2021 15:16

homemMaterial cedido ao Metrópoles

A morte de Paulo Henrique Rodrigues Alves, 44 anos, levantou uma série de dúvidas entre os familiares. Internado no dia 9 de janeiro em uma clínica para tratar dependência química, ele faleceu sob circunstâncias ainda sem esclarecimentos no último domingo (31/1).

O caso ocorreu na Khenosis, um centro de reabilitação localizado em Santa Maria. Conforme conta a irmã de Paulo, Márcia Eliasson, ele foi ao local por conta própria para tratar a dependência de álcool e narcóticos. “Ele foi internado e ficamos duas semanas sem poder vê-lo. O único contato era por carta, onde ele pedia várias comidas e pertences”, explica.

Em uma dessas idas, no dia 20, uma mulher que cuida da mãe de Paulo chegou a vê-lo no jardim gritando para ir embora. “Ela nos contou, mas infelizmente não demos muita importância, pois é normal alguém que está com alguns problemas falar isso”, lamenta.

Em 25 de janeiro ocorreu o primeiro contato, por videoconferência. Márcia conversou com Paulo, que relatou uma situação de violência que sofreu. “Chorando, ele disse que foi amarrado em um quarto sem banheiro e teve que fazer as necessidades dele na calça. Como tinha uma pessoa do lado, ele acabou não dizendo exatamente o que aconteceu, mas uma enfermeira me disse com a maior naturalidade que deu um sossega leão [calmante extremamente forte] nele depois de começar a chutar o portão”, conta.

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Três dias depois, ele ainda fez outro contato por vídeo, dessa vez com um dos filhos. Aparentemente tudo estava bem. “No domingo, no entanto, a gente recebeu a ligação de que ele tinha passado mal: teriam levado ele ao hospital e morreu lá, mas a história ficou bem estranha depois que ouvimos do médico que o atendeu que Paulo já tinha chegado morto”, explica.

Outro ponto que levanta dúvida na família é a causa da morte. Paulo não tinha nenhuma doença, mas a clínica também não informou se deram algum medicamento antes da morte. “Demoraram mais de 48 horas para entregar o prontuário dele. Qual o motivo dessa demora? Eles não deveriam ter tudo anotado e já entregar de uma vez?” questiona.

Diante da história aparentemente mal contada, a família buscou o advogado Mário Gomes, que orientou o registro de boletim de ocorrência. “Queremos saber o que houve, queremos o laudo cadavérico e um exame toxicológico para saber se deram algo para meu irmão antes e não disseram”, diz Márcia.

Procurada, a clínica informou que aguarda o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) para avaliar a causa da morte antes de se posicionar. O caso é investigado pela 33ª DP.

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