Falsa médica tinha livre acesso a hospitais e aliciava pacientes
De acordo com relatos de vítimas, mulher vendia medicamentos de uso hospitalar, o que reforça suspeita de ligação com funcionários da Saúde
atualizado
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A Polícia Civil tem indícios de que a falsa médica Renatha Thereza Campos dos Santos, 35 anos, tinha ligação com funcionários da Secretaria de Saúde. Por dois motivos: primeiro, porque os investigadores acharam na casa dela diversos medicamentos de uso exclusivo hospitalar. Segundo, porque a mulher tinha acesso livre a unidades de saúde do DF.
Renatha foi presa na manhã desta quinta-feira (24/8). Segundo o delegado-chefe da 19ª DP (Ceilândia), Fernando Fernandes, a mulher entrava em hospitais públicos e privados, se identificava como médica e, inclusive, chegaria a medicar pacientes. Também os aliciava, conforme relato de vítimas ouvidas pela reportagem.
Foi assim que ela abordou um rapaz, que não quis se identificar. Segundo ele, Renatha o conheceu quando estava internado no Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul. A falsa médica ofereceu um tratamento estético. Ele chegou a fazer algumas aplicações de ácido e, com o passar do tempo, se tornou amigo da mulher, mas depois descobriu a farsa. Ele é uma das vítimas que procuraram a 19ª DP.Renatha fazia atendimentos como médica, biomédica, esteticista e radioterapeuta. Não tinha diploma, apenas certificados. Estudou até o quarto semestre de Biomedicina. Renatha se identificava conforme a necessidade do paciente e prometia tratamentos milagrosos, até mesmo para doenças graves, como o câncer.
Um casal chegou a pagar R$ 10 mil para a mulher ser fertilizada. Uma senhora, que tem um tumor no cérebro, desembolsou R$ 3 mil por um “tratamento” de combate à doença. Até o momento, 20 pessoas procuram a 19ª DP.
A Polícia Civil suspeita de que a falsa médica tenha enganado de 100 a 200 pessoas no DF desde 2011, ano de registro da primeira passagem por exercício ilegal. Esta é a sétima vez que Renatha é investigada pela infração. “A princípio, os casos são só no DF, mas estamos verificando se há outros no Entorno”, destacou o delegado.
De acordo com Fernando Fernandes, Renatha será ainda investigada por lesão corporal, tentativa de homicídio e venda ilegal de medicamentos. A pena para os crimes pode ultrapassar 40 anos. “Esse caso deixa um alerta à população. Temos que desconfiar de preços baixos demais e sempre observar o CRM do profissional”, disse.
Uma mulher, que também pediu para não ser identificada, disse que Renatha tentou vender sibutramina (remédio para emagrecer) a ela por R$ 80. Segundo a jovem, a falsa médica a abordou no Hospital Anchieta, em Taguatinga, quando a mãe estava internada e ofereceu um tratamento de pele.
A moça chegou a fazer algumas aplicações com Renatha, para tirar manchas do rosto, em troca de prestação de serviço. “Cuidei do filhinho dela durante dois dias e ela dizia que não tinha dinheiro, mas sempre voltava com R$ 2 mil ou R$ 3 mil para casa [em Taguatinga], dizendo que o pai do menino havia dado”, contou.
A jovem disse ainda que Renatha ia ao Anchieta para se consultar e tomava morfina, alegando ter câncer no útero. “Ela ofereceu ampolas de morfina para minha mãe por R$ 130 e queria a todo custo me passar sibutramina por R$ 80, para eu revender. Mas não comprei”, garantiu a vítima, ao Metrópoles.
A Secretaria de Saúde informou que, quando solicitada, vai colaborar com as investigações da Polícia Civil. A prisão de Renatha é um desdobramento da Operação Placebo, deflagrada em junho deste ano. Uma clínica já foi fechada em Ceilândia Norte. A suspeita era que os especialistas que atendiam no local não tinham registro profissional.














