Exército de Israel intercepta barco e prende ativista brasiliense

Essa foi a terceira prisão de Thiago Ávila em um intervalo de 35 dias e a segunda vez que é detido pelas forças israelenses

atualizado

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1 de 1 thiago ávila (1) - Foto: Reprodução/Redes sociais

O ativista brasiliense Thiago Ávila foi preso novamente nessa quarta-feira (29/4) pelo Exército de Israel enquanto seguia em direção à Faixa de Gaza junto a delegação brasileira Global Sumud Flotilla. Outros dois ativistas brasileiros identificados como Leandro Lanfredi e Mandi Coelho também foram detidos.

Além do trio brasileiro detido pelas Forças de Defesa de Israel, a Global Sumud Flotilla denuncia que mais de 22 barcos e 175 ativistas também estão sob custódia de Israel.

A esposa de Ávila, Lara Souza divulgou nas redes sociais que o marido foi sequestrado a aproximadamente 500 milhas náuticas de Israel, o que corresponderia a 12 dias de viagem de barco.

Lara informou que não tem notícia sobre onde Thiago e os outros membros da delegação brasileira possam ter sido levados pelas forças israelenses.

“Nós não sabemos se eles serão levados para a Grécia, que é onde eles mais estavam perto, ou pro Porto de Ashdod (Israel), que é para onde os membros da Flotilla foram levados e significaria 10 dias de viagem sob a custódia das forças israelenses. Nós não temos comunicação com eles para saber se eles estão bem”, disse a esposa de Ávila.

De acordo com Lara, a delegação não tinha intenção de entrar em território israelense e tinha como destino final chegar na Faixa de Gaza, na intenção de criar um corredor humanitário. 

“Peço a todos que se mobilizem, participem de atos, pressionem o governo e peçam que tragam Thiago e os outros ativistas de volta para casa em segurança”, disse o post publicado nas redes sociais de Ávila.

Terceira prisão em um mês

Essa foi a terceira prisão de Thiago Ávila em um intervalo de 35 dias. No dia 25 de março, ele foi detido no Panamá e no dia 31 chegou a ser preso na Argentina, também junto às delegações da Global Sumud Flotilla. Quando ficou sob custódia na Argentina, ele chegou a ser deportado para Barcelona, na Espanha.

No ano passado, Thiago Ávila já havia sido preso por forças de Israel ao tentar chegar à Faixa de Gaza em uma embarcação com ajuda humanitária destinada à população palestina, ao lado de outros ativistas internacionais, como a sueca Greta Thunberg.


Relembre detenção em Israel

  • Thiago Ávila embarcou no Madleen com outros ativistas internacionais em direção à Faixa de Gaza, levando ajuda e tentando abrir um corredor humanitário, mesmo ciente de que embarcações semelhantes costumam ser barradas por Israel.
  • Antes de chegar ao destino, a embarcação foi abordada por militares, os ativistas foram retirados à força e levados sob custódia, em uma ação já esperada pelo grupo devido ao histórico de bloqueios na região
  • Já em território israelense, Ávila e outros integrantes ficaram presos, parte deles em solitária, e o brasileiro relatou que sofreu agressões, além de pressão psicológica durante o período de custódia
  • O ativista afirma que se negou a assinar um termo que, segundo ele, equivalia a confessar entrada ilegal no país, o que teria estendido o tempo de detenção até a deportação
  • Após o período preso, ele foi deportado, desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos e seguiu para Brasília, onde foi recebido por apoiadores; afirmou ter voltado com problemas de saúde após a prisão.

Os familiares dos ativistas aguardam a liberação e deportação. “As câmeras estão fora do ar e as embarcações foram abordadas por militares. Estamos trabalhando ativamente para confirmar a segurança e a situação de todos os participantes a bordo”,  diz um post publicado pelo perfil de Thiago Ávila nas redes.

O Ministério das Relações Exteriores foi procurado para se manifestar sobre o caso, mas até o momento não retorno ao contato feito pela reportagem.

 

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