Ex-soldado do Exército que matou cabo vira réu por feminicídio
Crime será julgado pela Justiça comum do Distrito Federal por não ter relação com o desempenho de atividades militares

O Tribunal do Júri de Brasília aceitou, nessa quarta-feira (7/1) a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra o ex-soldado do Exército Kelvin Barros da Silva (foto em destaque), de 21 anos.
Com a decisão, o soldado torna-se réu e responderá perante a Justiça comum pelos crimes de feminicídio e destruição de cadáver praticados contra Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos, que era cabo temporário do Exército.
“O assassinato, que ocorreu em 5 de dezembro de 2025, foi enquadrado como feminicídio porque envolveu menosprezo e discriminação à condição de mulher. O MPDFT também indicou uma causa de aumento de pena: o crime foi praticado de forma cruel e sem chance de defesa da vítima”, destacou a denúncia.
Segundo a Promotoria, o fato de o corpo de Maria de Lourdes ser carbonizado configurou de destruição de cadáver. Após cometer o feminicídio, ele deixou o local sem despertar suspeitas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFCompetência do Tribunal do Júri
Um dos pontos que era alvo de disputa entre as defesas, tanto do acusado quanto da vítima, era a competência do juízo.
Os advogados de Kelvin Barros queriam que o julgamento fosse na Justiça Militar, enquanto a defesa da família de Maria de Lourdes preferia que o processo corresse na Justiça comum.
Apesar de os fatos terem ocorrido em uma unidade do Exército, a Justiça do Distrito Federal acolheu a argumentação do MPDFT de que o crime não tem relação direta com a atividade militar.
Por isso, deve prevalecer a competência constitucional do Tribunal do Júri para julgar crimes dolosos contra a vida.
A Promotoria de Justiça sustentou que o Judiciário deve permitir que a sociedade exerça sua defesa e acuse o réu perante o júri popular. A Justiça Militar da União segue competente para processar e julgar os crimes de natureza militar.
Enquanto o crime ainda era investigado, houve um impasse para saber qual tribunal seria responsável pelo julgamento.
Entenda o caso
- O ex-soldado confessou ter matado a cabo da mesma instituição Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos;
- O crime foi cometido em 5/12, no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG), que fica no Setor Militar Urbano (SMU), área central de Brasília;
- Depois de matar a colega a facadas, Kelvin ateou fogo na sala em que ambos estavam no momento do crime e fugiu;
- Ele foi localizado horas depois, no Paranoá (DF), na casa em que morava com a família, e levado à 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), onde confessou o crime;
- A defesa de Kelvin disse que ele tinha um relacionamento extraconjugal com a cabo e que o crime ocorreu após uma discussão. Já os advogados da família de Maria de Lourdes, defendem que o assassinato ocorreu por ele não aceitar ser subordinado da cabo;
- Na sexta-feira (12/12), o Exército concluiu procedimento administrativo instaurado contra Kelvin e o excluiu da força “a bem da disciplina”.
O ex-soldado continua preso no Batalhão de Polícia do Exército, enquanto aguarda pelo julgamento, ainda sem data prevista. O inquérito policial conduzido pela 2ª DP (Asa Sul) foi concluído e entregue à Justiça comum.













