Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Estupro, socos e cárcere: grávida de alto risco foi torturada por 9 meses

Grávida de sete meses e diabética, vítima não podia fazer pré-natal e descobriu alteração nos batimentos cardíacos do bebê após resgate

28/08/2026 04:16
Carla Sena / Arte Metrópoles
Rafael Sousa Rios, grávida, cárcere

Durante sete meses de gestação, uma mulher de 36 anos, foi vítima do próprio companheiro que a manteve em cárcere privado e tortura sexual. A mulher foi resgatada nessa segunda-feira (24/8) em uma granja no Distrito Federal. Ela enfrenta uma gravidez de alto risco — condição que era um dos motivos pelos quais ela não queria manter relações sexuais com o companheiro durante a gestação. O homem apontado como autor dos estupros e das agressões é Rafael Sousa Rios, 37 anos, pai do bebê.

Rafael e a vítima viveram juntos por nove meses e o terror escalou conforme o tempo foi passando.

Diabética, a vítima não conseguiu fazer o acompanhamento médico e o pré-natal durante o período em que foi mantida sob o controle do suspeito. Após ser resgatada e procurar atendimento, ela descobriu que os batimentos cardíacos do bebê estavam muito acima do normal. A mulher também relatou ter sofrido agressões na região da barriga durante a gravidez.

Agora, após deixar o local onde foi confinada, a vítima foi acolhida por familiares, que passaram a acompanhá-la após o resgate.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF
Estupro, socos e cárcere: grávida de alto risco foi torturada por 9 meses - destaque galeria
Rafael Sousa Rios, 37 foi preso por manter mulher grávida de 7 meses em cárcere
1 de 1

Rafael Sousa Rios, 37 foi preso por manter mulher grávida de 7 meses em cárcere

Divulgação PCDF

A violência sexual, segundo o delegado-chefe da 24ª DP, Fábio Luz de Farias, incluía situações de tortura. Rafael Sousa Rios, 37 anos, teria derramado cera de vela quente sobre as pernas da companheira durante relações sexuais. O suspeito também teria gravado os atos e usado as imagens para chantageá-la.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Carcére privado

A casa onde Rafael morava com a companheira fica dentro da chácara onde ele trabalhava, no Incra 9, em Ceilândia (DF). O imóvel ficava em frente ao local onde ele exercia as atividades como granjeiro. Segundo a investigação, a posição da residência facilitava que Rafael acompanhasse os movimentos da mulher e mantivesse controle sobre a rotina dela.

O isolamento também alcançava a comunicação. Rafael teria quebrado o celular da companheira, impedindo que ela mantivesse contato com outras pessoas e dificultando que procurasse ajuda. Para os investigadores, o controle sobre a rotina e a comunicação fazia parte da dinâmica de violência que mantinha a vítima sob o domínio do companheiro.

Histórico de violência

A vítima e Rafael estavam juntos há nove meses. Segundo a polícia, a relação começou em Goiânia (GO), antes de os dois se mudarem para o Distrito Federal. Nesse período, a mulher engravidou e chegou ao sétimo mês de gestação.

No DF, Rafael passou a trabalhar como granjeiro. O local onde a mulher foi resgatada, no entanto, não era a primeira granja em que o casal morou na capital. Segundo os investigadores, os dois chegaram a ser expulsos de outra propriedade após episódios de agressão praticados por Rafael contra a companheira.

O histórico descoberto pelos investigadores também apontou que Rafael já havia sido alvo de ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha no Maranhão, onde nasceu. Há dois registros anteriores, envolvendo uma ex-companheira e a ex-sogra.

Os casos anteriores incluem relatos de lesão corporal e agressões com cabo de enxada.

Denúncia anônima

A denúncia que permitiu localizar a mulher foi recebida pela polícia em 17 de agosto. A partir das informações, os investigadores iniciaram diligências para identificar o imóvel.

O endereço foi localizado e, em 24 de agosto, os policiais foram à granja. A vítima foi resgatada e está sob cuidados médicos. Rafael foi preso em flagrante.

Após a audiência de custódia, a prisão preventiva foi decretada. Rafael está preso no Complexo Penitenciário da Papuda (CDP). Ele deve responder por cárcere privado, injúria, lesão corporal, dano qualificado e estupro.