Esposa de homem morto por técnico em UTI de hospital: “Foi um choque”

Familiares relatam que o homem de 33 anos sofria com dores abdominais e o quadro se gravou rapidamente, levando ao óbito em seguida

atualizado

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1 de 1 Hospital - Metrópoles - Foto: Getty Images

O Metrópoles ouviu familiares de uma das vítimas mortas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, onde técnicos de enfermagem teriam administrado um composto químico em pacientes, causando o óbito de três pessoas, entre novembro e dezembro de 2025.

De acordo com a esposa de um homem de 33 anos que perdeu a vida na unidade particular em 1 de dezembro, o marido deu entrada no local sentindo dores abdominais e foi internado para tratar suspeita de pancreatite.

“Ele chegou consciente e conversando normalmente com a equipe médica. Foi um choque”, disse a esposa.

Por volta das 20h30 do mesmo dia, o paciente sofreu uma parada cardíaca e precisou ser intubado. Após o episódio, ele permaneceu 13 dias internado na UTI, em estado grave. No dia 1º de dezembro, veio a óbito em decorrência de uma nova parada cardíaca.

De acordo com informações repassadas posteriormente pela equipe médica, após investigações iniciadas pelo próprio hospital, foi constatado que houve a administração de uma substância de forma intencional, o que teria agravado o quadro.

A família afirma só ter tomado conhecimento do fato na última terça-feira (13/1), quando o hospital entrou em contato e pediu que comparecessem à unidade para receber esclarecimentos sobre o óbito.

Entenda o caso:

  • A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE)
  • Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
  • Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
  • A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
  • As investigações tiveram um novo avanço na última quinta-feira (15), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
  • Nessa etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

Confira nota do hospital Anchieta

O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.

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