Escola do DF volta a errar e ameaça vagas de alunos em universidades
Estudantes dizem enfrentar problemas para acessar documentos de conclusão do ensino médio, essenciais para matrícula em universidades
atualizado
Compartilhar notícia

Estudantes do Centro de Ensino Médio (CEM) Paulo Freire denunciam novas dificuldades após o indeferimento de candidaturas por cotas no Programa de Avaliação Seriada (PAS) devido à ausência de documentos que comprovem a conclusão do ensino médio na rede pública.
Agora, eles afirmam enfrentar obstáculos para obter as declarações e o histórico escolar de conclusão, documentos essenciais para a matrícula no ensino superior. De acordo com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), o problema está relacionado à falta de lançamento de notas e frequência pela própria escola, que já foi orientada sobre como realizar os procedimentos.
Uma aluna da instituição, localizada na Asa Norte (DF), contou ao Metrópoles que, após ter o recurso aceito pela Universidade de Brasília (UnB), passou a enfrentar dificuldades para obter o certificado de conclusão do ensino médio. Segundo ela, a escola não encaminhou corretamente os documentos que comprovam a conclusão dos estudos na rede pública.
A estudante afirmou que pretendia se candidatar ao curso de Letras – Inglês no Instituto Federal de Brasília (IFB), cujo prazo para envio da documentação se encerra nesta sexta-feira (6/2).
Ela também informou ter sido aprovada no vestibular da UnB e que precisa efetuar a matrícula até a mesma data para não perder a vaga.
Ao procurar a escola e relatar a situação, a aluna disse ter sido informada pela secretaria de que não há prazo para resolução do problema e que, “teoricamente, a falha seria no sistema”.
“Estou extremamente ansiosa. É um descaso a escola fazer os alunos passarem por um estresse desnecessário novamente. No caso das cotas, era uma responsabilidade que a escola tinha que ter, e não se viu uma providência sendo tomada de forma proativa até a notícia se tornar pública”, afirmou.
Para ela, a sensação é de que a escola não quer ajudar a resolver a situação, o que pode custar um “esforço de anos” dos alunos. Segundo a estudante, a turma dela tem sido a mais afetada.
“Fui procurar novamente a escola, e me disseram que não tinha como tirar os documentos necessários para ninguém da minha turma do terceiro ano, sendo que houve alunos que conseguiram acesso a esses documentos”, relatou.
Ela contou ainda que solicitou uma nova previsão de resposta à secretaria da escola, mas não obteve retorno sobre a possibilidade de resolução do problema.
Outra estudante também relatou ao Metrópoles ter sido prejudicada pelo erro inicial na documentação enviada à UnB e acabou perdendo a inscrição no PAS 3.
Apesar disso, ela conseguiu ingressar na Universidade Estadual de Goiás (UEG), cujo prazo de matrícula se encerrou em 16 de janeiro.
“Fui correndo de Goiânia para Brasília porque precisava dessa declaração para conseguir fazer a matrícula”, disse.
Segundo ela, a coordenação e a direção da escola informaram que o sistema da plataforma EducaDF não estava funcionando devido à alta demanda. Diante disso, foi emitida uma declaração provisória para possibilitar a matrícula, mas ainda era necessário emitir o histórico escolar.
A estudante afirmou que compareceu diversas vezes à escola, acompanhada das duas irmãs, que também foram aprovadas em outras faculdades e precisavam da documentação.
“Todas as vezes disseram que havia problema no sistema do EducaDF e que três turmas constavam como reprovadas, turmas inteiras”, afirmou. “Eles falaram que era um problema do sistema e que o que a gente poderia fazer era denunciar aos canais de jornal para dar visibilidade ao caso e tentar agilizar”.
Diante da situação, ela e as irmãs foram até a Secretaria de Educação, onde foram informadas de que, apesar de haver instabilidade no sistema por conta da alta demanda, a reprovação ocorreu porque a escola não havia enviado o histórico completo dos três anos consecutivos.
Segundo a estudante, somente após quase quatro semanas de espera foi possível retirar os documentos completos, na quarta-feira (4/2).
A reportagem procurou a direção da escola, que preferiu não se manifestar sobre o assunto e orientou que a Secretaria de Educação fosse procurada.
O que diz a SEEDF
Em nota ao Metrópoles, a Secretaria de Educação informou que todas as funcionalidades do sistema EducaDF para emissão de histórico escolar, declaração de escolaridade e declaração de conclusão estão disponíveis e operacionais.
No caso do Centro de Ensino Médio Paulo Freire, a SEEDF afirmou que, após analisar solicitações de suporte técnico, constatou que a o problema na emissão dos históricos escolares estava “relacionada à ausência de lançamento de notas e/ou frequências, o que impede a geração completa do documento”.
“Dessa forma, as divergências relatadas podem estar associadas a procedimentos administrativos internos da unidade escolar, especialmente à necessidade de conclusão dos registros obrigatórios nos diários eletrônicos”, concluiu a SEEDF.
Segundo a pasta, a regularização da situação dos estudantes pode ocorrer de forma imediata, a partir de orientações que já foram repassadas à escola.
