Erosões e enxurradas. Chuva expõe velhos problemas em Vicente Pires

Com muitas obras de infraestrutura não finalizadas, transtornos para os moradores ficam ainda maiores

JP Rodrigues/ Especial para o MetrópolesJP Rodrigues/ Especial para o Metrópoles

atualizado 18/09/2018 20:01

A volta das chuvas trouxe à tona um problema antigo que já faz parte do cotidiano dos moradores de Vicente Pires. Apesar de algumas obras em curso, a falta de redes de águas pluviais e asfalto em muitas ruas contribui para erosões e alagamentos na região administrativa.

Enquanto as ruas 1 e 2 da cidade foram contempladas com asfaltos, a via vizinha encontra-se abandonada. Sem asfalto e esburacada, a pista de terra da rua 3, da Gleba 2, se transforma em lago nos dias chuvosos”. Na segunda-feira (17/9), vários veículos atolaram.

Funcionário do condomínio Via Nobre, localizado na rua, Valdezar Nogueira Araújo, 39 anos, “virou herói”. Foi ele quem ajudou a empurrar os carros presos no lamaçal. “Quem podia, eu ajudava, mas teve carro que ficou largado aí, pois não tínhamos como tirar de lá”.

Segundo Valdezar, a região está abandonada desde que a empresa responsável pelas obras cometeu um erro de planejamento para colocação das manilhas de concreto, desencadeando um atraso em toda operação. “Vieram, abriram um buraco e deram de cara com um problema que não conseguiram resolver. Só voltaram, fecharam o buraco e largaram de mão”, relata

O comércio é quem mais sofre. Diana Leal, 30 anos, trabalha em uma cafeteria da rua e, para minimizar os prejuízos, foi obrigada a fechar o estabelecimento no dia.

“Seguimos sem saber que fim isso vai levar. Os únicos clientes que aparecem por aqui durante as chuvas são aqueles que já conhecem o estabelecimento. Meu vizinho, por exemplo, costumava distribuir pães caseiros para toda Águas Claras, mas com a rua desse jeito, está tendo enorme prejuízo”.

O drama de Diana é o mesmo de Irenilde Conceição, 34. Diarista de uma residência na cidade, ela enfrenta uma batalha diária ao pegar o ônibus para ir ao trabalho e é obrigada a lidar com o atraso dos coletivos. “São muitos [ônibus] que atolam por aqui e acabam atrasando toda a linha. Tá uma tristeza isso aqui”, reclamou.

A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos informou que as empresas que executam serviços na cidade com contratos vigentes, mas em razão das chuvas, trabalham em atendimento de emergência, ou seja, realizando serviços somente nas áreas mais afetadas pela chuva.

No entanto, o Metrópoles esteve no local nesta terça-feira (18) e não constatou nenhuma movimentação preventiva na região, com exceção da pista perpendicular à Rua 10, onde caminhões remiam lama da área.

Má gestão
Para o presidente da Associação dos Moradores de Vicente Pires, Gilberto Camargos, 54, o problema antigo é culpa de “má gestão do governador Rodrigo Rollemberg”. Ele acusa o GDF de “incompetência, falta de planejamento e demora” na realização das intervenções.

Deixaram para começar no ano eleitoral. Consequentemente, as empresas que já estavam contratadas desde 2014 pediram um aditivo em decorrência do adiamento. Isto fez o preço das obras saltar, provocando até mesmo a falência de algumas. Agora, elas estão mais caras e sem previsão de serem finalizadas

Gilberto Camargos, 54

Estado de alerta
Na terça (18), a Defesa Civil emitiu alerta de chuvas intensas e ventos fortes no Distrito Federal. A medida foi tomada após as precipitações deixarem rastro de destruição em várias cidades do DF, incluindo Vicente Pires.

Nem uma viatura do Corpo de Bombeiros escapou e ficou atolada em um dos buracos. O veículo foi retirado após a chegada de um guincho.

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