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Dois dias após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar habeas corpus aos religiosos acusados de desviar recursos da Diocese de Formosa (GO), foi a vez de o Supremo Tribunal Federal (STF) indeferir o pedido. A decisão da mais alta Corte, desta quinta-feira (5/4), afeta o bispo dom José Ronaldo (foto em destaque) e o juiz eclesiástico Tiago Wenceslau.

Mais cedo, ouviram negativa do STJ o monsenhor Epitácio Cardozo (foto em destaque), os padres Mário Vieira de Brito, Moacyr Santana e Waldson José de Melo, além dos empresários Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa, todos acusados de participar do esquema que desviou pelo menos R$ 2 milhões da Diocese de Formosa. O recurso já havia sido indeferido pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).

Além de dom José Ronaldo, outros 10 acusados passaram a ser réus perante a 2ª Vara Criminal do município goiano. Eles responderão por delitos como associação criminosa, falsidade ideológica, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. Todos foram investigados na Operação Caifás, deflagrada em 19 de março.

Um dos motivos que embasaram o pedido de prisão preventiva foi o fato de que, durante as escutas, os promotores identificaram risco de fuga de dom José Ronaldo para a Itália.

Para a defesa dos acusados, eles não cometeram irregularidades. Ainda de acordo com os defensores, todos os recursos são fruto do “trabalho árduo” dos religiosos nas 33 igrejas que fazem parte da Diocese de Formosa. Em um ano, elas movimentam entre R$ 15 milhões e R$ 16 milhões.

Interventor
Após o escândalo de desvio de dízimos e doações envolvendo a sede episcopal de Formosa, o papa Francisco nomeou, no dia 21 de março, dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba (MG), como novo administrador apostólico da Diocese da cidade de Goiás, no Entorno do DF.

O Vaticano já havia escolhido dom Paulo Mendes Peixoto para fazer uma “visita técnica” a Formosa, no início deste mês, antes mesmo da prisão do bispo, após receber denúncias de irregularidades na gestão da cúria.

Dom José Ronaldo está no centro das denúncias. Ele teria, inclusive, convocado o juiz eclesiástico de São Paulo para ameaçar e intimidar os clérigos que se recusavam a fazer parte do esquema.

Segundo os investigadores, em 21 de dezembro de 2017, Thiago Venceslau – que teria forjado uma auditoria fiscal – e o bispo promoveram uma reunião. No encontro, os membros da Igreja Católica foram intimidados e constrangidos a declarar apoio ao líder religioso.

 

 

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