Povoado começa a ser desocupado após decisão favorecer primo de Caiado
Ao longo da semana, cerca de 400 famílias devem ser obrigadas a deixar suas casas. A ordem para desocupação vem após determinação judicial

A mando da 1ª Vara Cível de Santo Antônio do Descoberto (GO), imóveis da fazenda Antinha de Baixo, na zona rural da região, começaram a ser desocupadas nesta segunda-feira (4/8). Ao longo da semana, cerca de 400 famílias devem ser obrigadas a deixar suas casas.
Viaturas da Polícia Militar de Goiás (PMGO) começaram a ocupar o local por volta das 6h. Três horas depois, oficiais de justiça deram início às desocupações. Membros do Corpo de Bombeiros (CBMGO) e da Defensoria Pública (DPE-GO) acompanham a ação.
Sem ter para onde ir, as famílias têm de ser ágeis para evitar que tratores destruam plantações e bens materiais. “Sem contar os nossos animais. Perdi minhas galinhas, tive que deixar meus peixes com um vizinho, que foi considerado vulnerável e deve continuar na casa por um tempo”, conta a agricultora familiar Katleen Silva, de 38 anos.
Como Katleen mencionou, 16 pessoas foram consideradas vulneráveis pela Justiça e ganharam o direito de ficar em casa. Os critérios para definição de vulnerabilidade, no entanto, não foram detalhados.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA aposentada Maria das Graças Souza, 78 anos, não teve a mesma sorte de ser classificada como vulnerável, mesmo se recuperando de um acidente vascular cerebral (AVC). “Cheguei a ficar internada durante um mês”, relembra. Ela teve que sair de casa e enviar os pertences a um galpão improvisado pelas autoridades na região.
Assista aos relatos dos moradores:
Primo de Caiado
A ordem para desocupação vem após determinação judicial que torna três herdeiros donos de toda a fazenda. Uma das detentoras das terras é Maria Paulina Boss, tia do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), como noticiou o Metrópoles nesse domingo (3/8).
Um dos herdeiros das terras em questão é um dos filhos de Maria Paulina, o empresário Murilo Caiado. Murilo afirma que os atuais moradores foram enganados por antigos proprietários, que teriam vendido imóveis sem documentação.
“Estão politizando a situação”, alega Murilo. O empresário conta que pretende utilizar a região para empreendimentos voltados à pecuária.
Murilo acompanha de perto a desocupação, ao lado de tratores, seguranças privados e assistentes braçais que ajudam a retirar móveis das famílias, se necessário. O empresário disponibilizou caminhões para auxiliar na remoção dos bens das famílias.
























