“Aqui seu varão”: professor é demitido de escola após assediar alunos

O caso ocorreu em uma escola pública de Santo Antônio do Descoberto. Pelo menos sete alunos relataram terem sido vítimas

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 assedio-sexual-professor-aluno - Foto: Arte/Metrópoles

Um professor de educação física da rede pública de ensino de Goiás foi demitido após alunos denunciarem assédios sexuais cometidos pelo docente dentro de uma escola de Santo Antônio do Descoberto (GO).

O Metrópoles apurou que pelo menos sete jovens relataram ter sido vítimas do professor. A Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO) disse que o docente foi demitido (leia nota completa no fim da matéria).

Uma das vítimas disse que o professor apresentava comportamento recorrente, com falas de cunho sexual, dizendo que a vítima “precisava namorar para desestressar” acompanhando a fala com gestos de conotação sexual.

A aluna contou que conversava com colegas e, ao mencionar sua religiosidade e afirmar que gostaria de um “varão de Deus”, o professor teria respondido com insinuação de cunho sexual, afirmando “aqui o varão que você precisa”, também acompanhada de gestos com as mãos, o que causou constrangimento à adolescente.

A vítima afirmou ainda que o professor fez um comentário sobre o corpo dele e disse que ela tinha “uma bundinha grande”. A fala teria sido um comentário após ela perceber que tinha sujado sujado a calça a caminho da escola, momento em que pediu ajuda de uma colega para se limpar.

Crise de ansiedade

Outro aluno afirmou que, ao retornar da quadra acompanhado de uma colega, o professor aproximou-se por trás e pressionou seu corpo contra o dele, dizendo “você está com medo do quê? Não precisa ter medo”.

Naquele momento, o jovem relatou ter sentido desconforto, mas teve dificuldade em delatar o ocorrido, pois os colegas costumavam rir das atitudes do professor, que fazia piadas e utilizava apelidos. Isso fez com que ele tivesse receio de não ser levado a sério.

Ele também disse que tentou conversar com o pai, de forma superficial, pelo fato do mesmo ser advogado criminalista. Porém, ao fazer isso, foi questionado se havia provas e alertado sobre as possíveis consequências de uma denúncia, o que contribuiu para o aumento de seu receio.

Segundo o adolescente, após o ocorrido, ele chegou a faltar a algumas aulas, chegando a apresentar crise de ansiedade ao tentar comparecer à escola.

Inquérito concluído

O Conselho Tutelar de Santo Antônio do Descoberto tomou conhecimento dos fatos e, em nota, afirmou que todas as medidas protetivas foram tomadas de imediato, como: encaminhamento dos alunos para atendimento e acompanhamento psicológico; registro de Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia civil; e encaminhamento do caso ao Ministério Público.

À reportagem, a delegada Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Santo Antônio do Descoberto, Lorrane Picanço, disse que o inquérito foi concluído e remetido à Justiça de Goiás.

“Na época das investigações, cheguei a representar pela prisão preventiva dele (professor), mas foi indeferida”, pontuou.

Segundo a delegada, alguns casos foram tipificados no Artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) — submeter criança ou adolescente, que esteja sob autoridade, guarda ou vigilância, a vexame ou constrangimento. “Um deles entrou como assédio, pois a vítima era maior de idade quando ocorreu o crime”, acrescentou Lorrane.

Leia a nota da Seduc sobre o caso na íntegra:

“A Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO) informa que, assim que a gestão escolar comunicou à Coordenação Regional de Educação (CRE) de Águas Lindas sobre a situação ocorrida e a existência de denúncias contra um professor da unidade, foi determinada a apuração imediata dos fatos e o apoio às vítimas da ação.

De imediato, o docente acusado de assédio, em contrato temporário de trabalho, teve seu vínculo com o Estado encerrado, no dia 8 de abril de 2026. A unidade escolar apoia os estudantes e presta todo o atendimento por meio do programa Ouvir e Acolher.

A unidade escolar colocou-se à disposição da Justiça para apoiar qualquer investigação e acionou os mecanismos de segurança previstos no Protocolo de Segurança Escolar, lançado em 2019.”

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