“A mãe lutou muito por ele”, diz conselheiro sobre menino morto

Corpo do garoto foi encontrado com sinais de espancamento, às margens de córrego em Águas Lindas (GO), e será enterrado hoje

Reprodução/TV AnhangueraReprodução/TV Anhanguera

atualizado 08/11/2019 8:34

A Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) suspeita que o menino de 11 anos encontrado morto em Águas Lindas (GO), Entorno do Distrito Federal, tenha sido assassinado por pessoas de quem ele roubou. O corpo do garoto foi localizado por populares às margens de um córrego, no bairro Setor 07, nessa terça-feira (05/11/2019), e será enterrado nesta sexta-feira (08/11/2019), no Cemitério de Taguatinga.

A vítima, que foi levada pelo menos oito vezes para a delegacia somente neste ano, tinha sinais de espancamento. Há indícios de que o garoto tenha sido assassinado com pedaços de pau ou ferro.

Conforme o delegado Cléber Martins, da 17ª Delegacia Regional de Polícia (Águas Lindas de Goiás), a hipótese da investigação é que o crime tenha sido motivado por vingança. Nenhum suspeito foi identificado até o momento.

Ameaças

O garoto foi autuado diversas vezes por furtos e roubos, e estava sendo ameaçado de morte. A criança havia passado por alguns traumas, como abuso sexual quando era menor e o falecimento do irmão mais velho.

Cleiton Vital de Oliveira, conselheiro tutelar de Taguatinga Norte, acompanhava o caso do menino. Segundo ele, a vítima fazia uso de substâncias entorpecentes e se tornava agressiva quando estava drogada.

Com medo de ameaças, a família se mudou de Águas Lindas (GO) para Ceilândia e, por fim, Taguatinga. De acordo com o conselheiro, quando o menino ficava sóbrio, reconhecia a situação crítica em que estava e que tinha que mudar.

“Quando ele não usava entorpecentes, ficava calmo e tranquilo. Eu conversava com ele, que dizia querer sair dessa vida. Reconhecia a gravidade das ameaças. Mas o vício foi maior, e ele acabou morto”, lamentou.

A ameaça ao jovem era constante. O conselheiro ofereceu o programa de proteção, porém, ele recusou. “Acabamos o colocando em uma casa de acolhimento em Taguatinga, mas, como não era internação compulsória, não era obrigado a ficar lá. Então, podia sair à hora que quisesse. Ele cometia pequenos furtos para sustentar seu vício”, disse.

O conselheiro afirmou que a mãe do garoto está muito abalada e que, durante todo o processo, lutou muito pelo filho. “Ela sempre demonstrou preocupação e queria muito a recuperação dele. Eles se mudaram para três cidades diferentes por conta de o jovem sempre estar sendo ameaçado”, assinalou.