Enteada sobre abuso de catequista: “Sofri sozinha todos esses anos”

Jovem de 18 anos contou ao Metrópoles que foi molestada dos 5 aos 7 anos. Já adulta, resolveu denunciar o caso e tem o apoio da mãe

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atualizado 10/07/2019 15:25

A única vítima do sexo feminino que acusa José Antônio Silva, 47 anos, de abuso sexual disse que morou durante uma década sob o mesmo teto do seu algoz, que está foragido. Hoje, ela está com 18 anos. O catequista teve um relacionamento com a mãe da jovem. A violência, no entanto, segundo a denunciante, aconteceu antes do casamento dos dois. “A primeira vez, eu tinha 5. Isso durou até eu completar 7. Depois, nunca mais ocorreu”, contou ao Metrópoles.

A enteada ressaltou que tinha medo de denunciar o agressor. “Não sabia que ele fazia a mesma coisa com outras crianças. Quando fui crescendo, comecei a entender o que ele tinha feito comigo. Tive de sofrer sozinha todos esses anos, sem poder contar para ninguém”, revelou.

A vítima frisou ainda que a convivência entre os dois, após o casamento da mãe, era superficial. “Falávamos só o que era necessário. Tão logo tomei conhecimento de que meu primo denunciou, resolvi contar também (para a polícia). Achei que ele tivesse parado, não fazendo isso com mais ninguém. Até eu ir à delegacia e saber de mais pessoas. Isso foi um choque para mim. Fiquei traumatizada”, afirmou.

A mãe dela se separou de José Antônio depois da denúncia. De acordo com a jovem, a mulher está muito abalada, mas, ainda assim, tem apoiado a filha. “Esperamos que ele seja encontrado o mais rapidamente possível. E seja punido”, cobrou. Dois dias após o caso vir à tona, a vizinhança da QE 40, no Guará II, onde o homem residia, se mostra chocada e comenta o caso nas ruas da cidade.

 

“Foi um choque para todos. Nunca houve desconfiança. Era cliente nosso aqui no estabelecimento. Às vezes, víamos ele com crianças, mas nunca em atitude suspeita. Uma pessoa amigável”, disse um empresário da quadra, que preferiu não se identificar. Vizinha do acusado definiu como “inacreditável” as denúncias contra José Antônio. “Nós o conhecíamos demais. Ele sempre andou com crianças aqui na quadra. Como era catequista e dava aulas de futebol, víamos nele a figura de paizão. Não dava para imaginar essas atrocidades”, pontuou.

A mulher comentou ainda que, há pelo menos cinco dias, a ex-mulher de José Antônio não é mais vista no prédio onde moravam. “Ela se mudou e ele sumiu. O apartamento está vazio. Não há sinal de ninguém por lá.” Segundo os vizinhos, José Antônio teria sido visto no Guará 1 na segunda-feira (08/07/2019).

Quadra de esportes onde o acusado ministrava aulas de futebol

Os supostos abusos cometidos pelo catequista ficaram ocultos até maio deste ano, quando um dos sobrinhos do acusado, hoje com 23 anos, resolveu procurar a polícia. Pai de um bebê, ele temeu que o crime se repetisse com o filho e denunciou o tio, considerado até então acima de qualquer suspeita. Ao Metrópoles, o jovem, que preferiu não se identificar, contou como José Antônio agia.

Foram quatro anos de abusos — dos 4 aos 8 anos, conforme afirmou. “Ele fez isso com todos os meninos da família. A psicopatia começou depois de uma certa idade. Temos conhecimento de um deles, que é mais velho do que eu, e depois de mim, todos os mais novos também foram abusados”, revelou. De acordo com a vítima, as crianças eram abusadas aos domingos, quando a família estava reunida. “Algo muito ruim de se recordar”, disse.

O rapaz afirmou que decidiu denunciar o tio após uma comemoração do Dia das Mães na casa da avó. “Ele (José Antônio) foi dar a bênção ao meu filho bebê e aquilo me causou repulsa. Lembrei de tudo que ocorreu na minha infância e percebi naquele momento que eu tinha de fazer algo, caso contrário, aconteceria o mesmo com o meu filho”, destacou.

O jovem assinalou que, quando decidiu denunciar o tio, outros primos apoiaram a postura dele e fizeram o mesmo. José Antônio teria abusado pelo menos 12 crianças do núcleo familiar, segundo revelou o Metrópoles nessa terça-feira (09/07/2019). “Estamos unidos. Queremos justiça. Ele precisa pagar por esse crime”, enfatizou.

A situação, porém, divide a família. “O nosso apoio está vindo apenas dos mais próximos. A maioria dos irmãos está do lado dele. Queremos mostrar que não estamos errados. Fomos vítimas. E esperamos que a nossa família possa voltar a ser a mesma. Unida como sempre foi”, disse o jovem.

O suspeito está desaparecido. A Justiça do Distrito Federal incluiu, nessa terça-feira (09/07/2019), no cadastro nacional de foragidos, o nome do professor de catequese José Antônio Silva. Com sua identidade lançada no sistema que pertence ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Polícia Civil do DF espera facilitar a cooperação com outros estados, caso o suspeito esteja em outra unidade da Federação.

Até agora, 13 vítimas procuraram a 4ª DP (Guará). A delegacia tem informação de outras quatro pessoas que foram abusadas, mas ainda não procuraram a unidade para depor. José Antônio dava aula de catequese na Paróquia Divino Espírito Santo, no Guará II, e também em uma escolinha de futebol.

“Nossos esforços estão todos concentrados em solucionar este caso. Já recebemos algumas denúncias sobre o paradeiro de José Antônio, temos linhas possíveis, mas ainda nada concreto”, afirmou o delegado Douglas Fernandes.

Em nota, o padre Mário Alves Bandeira, da Paróquia Divino Espírito Santo, disse que o catequista atuou como voluntário na igreja de 2017 a 2018. No início de 2019, deixou o serviço, sem explicações. Sobre as acusações contra José Antônio, ressaltou: “Sentimo-nos tão surpresos quanto os familiares mais próximos”.

Denuncie

Além do telefone 197, o Disque-Denúncia da PCDF, informações sobre o paradeiro de José Antônio podem ser repassadas por meio do site da corporação (www.pcdf.df.gov.br) ou pelo e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br. Outro canal é o WhatsApp: (61) 98626-1197. A identidade do denunciante será mantida no mais absoluto sigilo.

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