Empresas de ônibus recorrem a empréstimos para pagar rodoviários e evitar greve

Até sexta-feira (18/9), quatro das cinco empresas que atendem as bacias do DF tinham pagado os 40% de adiantamento da categoria

atualizado 20/09/2020 8:37

Pessoas de máscaras na RodoviáriaHugo Barreto/Metrópoles

As empresas de ônibus do Distrito Federal recorreram a empréstimos para pagar os rodoviários e evitar greves. Um dia após Piracicabana, Marechal, Urbi, São José e Pioneira comunicarem ao governo que não tinham dinheiro para pagar adiantamento de 40% do salário dos rodoviários de Brasília, pelo menos quatro empresas depositaram a verba na conta dos rodoviários nessa sexta-feira (18/9).

Somente a Marechal não conseguiu colocar em dia os vencimentos, cujos depósitos são feitos todo dia 20 de cada mês. De acordo com o diretor do Sindicato dos Rodoviários do DF João Osório, a greve ocorreria nessa sexta, mas, devido à regularização de parte dos pagamentos, a categoria optou por não cruzar os braços.

“Não vamos parar por causa do final de semana. Mas, se a Marechal não pagar até segunda-feira (21/9), a paralisação é certa”, ressaltou.

Como mostrou o Metrópoles, as viações do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal (STPC-DF) comunicaram à Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF que estão à beira do colapso e não teriam dinheiro para pagar o adiantamento de 40% do salário dos rodoviários de Brasília.

Devido à pandemia da Covid-19 e à redução de passageiros durante a crise de saúde pública decorrente do novo coronavírus, o STPC está quase em colapso financeiro e com rombo de R$ 400 milhões.

“As empresas estão com dificuldades financeiras. A tarifa que elas recebem do usuário está muito aquém do custo total do sistema. No início da pandemia, os ônibus rodavam com 30% dos passageiros. Hoje, estão com 46%”, detalhou o secretário de Transporte e Mobilidade do DF, Valter Casimiro, ao Metrópoles.

O GDF pagou as Despesas de Exercícios Anteriores (DEA) que tinha com as operadoras e quitará a última parcela, de R$ 15 milhões, até a próxima segunda. Foi com o dinheiro da DEA que as empresas se sustentaram nos últimos seis meses. Agora, elas alegam ao GDF não ter mais capital.

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Desde março, quando o primeiro caso de coronavírus foi registrado no DF, a demanda por viagens caiu 60%. Mesmo assim, para que fosse possível o afastamento de 1,5 m entre os passageiros e para evitar aglomerações no sistema público de transporte, as operadoras foram obrigadas a manter 100% da frota, sem subsídio do Executivo local.

Auxílio suspenso

A 6ª Vara de Fazenda Pública suspendeu o auxílio emergencial de mais de R$ 90 milhões às empresas de transporte público feito pela Semob.

A ação foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que questionou o socorro financeiro. Segundo os promotores, o auxílio não estava de acordo com a relação contratual das empresas e as leis que regem as finanças públicas.

Assim, com o volume de passageiros transportados diariamente reduzido de 1,1 milhão para menos de 500 mil durante a pandemia, o prejuízo diário das viações foi de R$ 3 milhões. Hoje, o rombo é superior a R$ 400 milhões para as operadoras, contando desde o início da crise sanitária.

Ação da Semob

Para tentar evitar uma greve geral e a paralisação dos serviços, a Semob promove diversas reuniões com o MPDFT. “Hoje, alguns ônibus carregam apenas 10 passageiros em cada viagem. Vamos tentar ao menos ampliar o tempo de diferença entre uma viagem e outra. Isso, é claro, sem prejudicar os passageiros ou colocá-los em risco devido à Covid-19”, afirmou o secretário Valter Casimiro.

As empresas não quiseram comentar o assunto. O espaço segue aberto para manifestações.

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