Empresário do DF fecha loja e protesta: “Sem vacina, não há comércio”

Estabelecimento de costura especializada na Asa Sul alega ter de fechar as portas devido à crise gerada pelo coronavírus

atualizado 19/02/2021 9:02

André Kallagri em loja da Asa SulRafaela Felicciano/Metrópoles

A loja especializada em costura André Kallagri, na 307 Sul, anunciou sua última queima de estoque nessa quarta-feira (17/2). O estabelecimento fechará devido à crise econômica ocasionada pela pandemia de coronavírus, afirma a gerência do local. Os dizeres na entrada do estabelecimento, no entanto, chamaram a atenção dos pedestres.

“Sobrevivemos à roubalheira do PT (Partido do Trabalhador), mas não sobrevivemos às irresponsabilidades de hoje. Sem vacinação, não há comércio”, lê-se na vitrine.

“Tem vezes que passamos dias sem vender nada”, afirmou o dono, André Kallagari. “A crise estava ruim antes, mas a incerteza a fez piorar. O comércio da quadra está completamente desassistido. Não temos plano de vacinação. O que pedimos é responsabilidade dos responsáveis pela situação.”

André acrescenta que a ideia de fechar o negócio começou a lhe ocorrer na eminência de uma segunda onda do vírus. Segundo ele, a gerência conseguiu demitir todos os funcionários, pagando-os devidamente e, agora, pretende queimar o estoque completo.

“Eu tenho clientes há vários anos. Para sobreviver, só quem tem nome na praça. Quem acabou de chegar pode não durar”, destacou. O empresário disse que o comércio dele sofreu 11 assaltos, mas corre o risco de fechar pela falta de vacinação. Ele seguirá aberto mais seis meses, sem funcionários.

Veja imagens de André e da vitrine:
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Crise local

A Asa Sul teve, até agosto de 2020, 540 lojas fechadas por causa da crise econômica e da pandemia do novo coronavírus, segundo o Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista).

Segundo o presidente da entidade, Edson de Castro, a quantidade de estabelecimentos desativados representa, pelo menos, 2,7 mil desempregos.

Na W3 Sul, até o fim de fevereiro deste ano, 144 empresas tinham fechado as portas. Após mais de cinco meses de pandemia, o número subiu para 175, um aumento de 21,5%. A 512 Sul tem 18 lojas paralisadas, a maior quantidade por quadra na avenida.

De acordo com o Sindivarejista, a W2 Sul tem 81 estabelecimentos fechados, como oficinas e depósitos, por diferentes razões.

As quadras que perderam mais empresas são as 100, que somam 78 lojas desativadas. Entre as quadras comerciais 100, a 106 e a 107 Sul são as únicas com todos os comércios abertos. As quadras 200, 300 e 400 têm, respectivamente, 73, 63 e 70 pontos de vendas que encerraram as atividades.

O presidente do Sindivarejista pede ajuda dos governos federal e local para socorrer as empresas. “Os recursos disponibilizados até o momento são insuficientes para reerguer o comércio, e a burocracia atrapalha quem busca os bancos oficiais. Pede-se um excesso de papéis aos empresários. Há muitas exigências, o que dificulta o acesso ao crédito”, criticou.

O vice-presidente do Sindivarejista, Sebastião Abritta, disse que a revitalização da W3 Sul, iniciada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), precisa ser acompanhada de outras alternativas para reabertura e geração de emprego e renda. “Se não, novamente, vamos ter a maior franquia em Brasília: a de passo o ponto, aluga-se e vende-se”, afirmou.

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