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Preso por pedofilia durante a Operação Lex Scantinia, em setembro, Alessandro da Silva Santos, 45 anos, prestou depoimento nesta quinta-feira (9/11) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-tratos, do Senado.

Ex-diretor de uma escola particular em Taguatinga, ele é acusado de abusar sexualmente de 11 crianças e, quando foi detido, tinha mais de 100 mil fotos de pornografia infantil. No depoimento desta quinta, chorou e disse que sofreu abusos na infância: “Estou muito constrangido e arrependido”, afirmou.

Alessandro foi interrogado pelo senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI dos Maus-tratos. Durante a oitiva, evitou responder a perguntas sobre sua predileção por meninos e negou ter abusado de qualquer estudante da escola Christus, onde atuou como diretor por um mês, em 2015: “Lá eu tinha uma visão mais para me firmar no trabalho. Nunca abusei de nenhum aluno”, disse.

 

Ao ser questionado pelo senador Magno Malta quanto a abusos sofridos na infância, o acusado confirmou a violação, mas não quis entrar em detalhes e começou a chorar. Segundo Alessandro, o desejo por crianças começou em 1989, e as imagens pornográficas acumuladas em seu computador foram reunidas durante anos: “Era uma obsessão que eu tinha”.

Preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda desde a deflagração da Lex Scantinia, o ex-diretor disse que encontrava as imagens em sites na deep web e admitiu a troca de fotos e vídeos com Jobson José de Aquino, 53, também preso no âmbito da operação, em Belo Horizonte. No entanto, negou qualquer tipo de comercialização do material, hipótese cogitada pela Polícia Civil do DF.

A deep web é o nome dado a uma zona da internet não facilmente detectada pelos tradicionais motores de busca, garantindo privacidade e anonimato aos seus navegantes.

Alessandro também afirmou só se lembrar de ter cometido abusos contra quatro das 11 vítimas identificadas pela Polícia Civil e nunca ter usado violência. Disse ainda ser uma pessoa religiosa.

Eu era evangélico, mas me desvirtuei e fui para o espiritismo. Depois desse acontecimento, me converti de novo"
Alessandro da Silva Santos, preso por pedofilia

Distintivo falso e carros clonados
A prisão neste ano não foi a primeira vez que Alessandro da Silva Santos cruzou com a polícia. Em 2015, quando era diretor do colégio Christus, ele foi preso enquanto tentava entrar em um motel do DF com um jovem de 18 anos. Na ocasião, o ex-docente portava um distintivo falso da Polícia Federal e estava em um carro clonado. O episódio causou a demissão do educador, que não terminou a faculdade de pedagogia, da escola.

No depoimento desta quinta, o acusado admitiu que já havia usado o distintivo para abordar vítimas e confessou a compra de dois veículos irregulares. Entre a primeira prisão e a Operação Lex Scantinia, Alessandro contou que fez bicos como segurança em diversos estabelecimentos.

Ao fim da oitiva, ele chegou a dar conselhos para que pais possam proteger filhos de abusos como os cometidos por ele: “Tem que ter muito cuidado com as amizades e a internet. Sempre acompanhar WhatsApp, ligações e saber com quem saem. O Facebook é uma das ferramentas que mais consegue atrair [as vítimas]”, disse.

Lex Scantinia
Alessandro foi preso em setembro, após procurar suas vítimas de abuso sexual e tentar convencê-las a apagar qualquer traço do crime. Em maio, ele já havia sido detido e, na casa dele, equipes da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O) encontraram um HD com centenas de vídeos e imagens sexuais, algumas envolvendo o próprio acusado com adolescentes do sexo masculino que aparentavam ter entre 10 e 16 anos.

Segundo a Polícia Civil, ele praticava os abusos desde 1990. Alessandro vai responder nove vezes pelo artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê pena de um a quatro anos de reclusão, e por dois estupros – um deles, de vulnerável. As penas, se somadas, variam de 23 a 31 anos de prisão em regime fechado.

 

 

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