UnB divulga novas obras selecionadas para o PAS

Conteúdo é utilizado por escolas e cursos como referência na preparação de alunos. Títulos foram sugeridos em consulta pública

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 13/01/2019 19:02

Cota não é esmolaLei Maria da PenhaMaria da Vila Matilde e o Bom Crioulo. Todos esses conteúdos com forte engajamento na defesa de direitos humanos e diversidade possuem outro ponto em comum: integram a lista dos novos títulos que passarão a ser usados na 2ª etapa do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB), para os subprogramas 2018, 2019 e 2020.

As obras musicais, textuais e visuais divulgadas pelo Decanato de Ensino de Graduação (DEG) foram escolhidas entre centenas de sugestões recebidas por meio de chamada pública. A maioria das cerca de 600 recomendações veio de estudantes, que acabam sendo a parte mais impactada pela reflexão provocada pelas obras.

“Nossa preocupação foi escolher, entre o que foi sugerido em um processo democrático, trabalhos que possibilitem o desenvolvimento e a avaliação de competências e habilidades que possam ser devolvidos à sociedade”, afirma o decano de Ensino de Graduação, Sérgio de Freitas, sobre os critérios utilizados pela comissão na seleção dos materiais.

O grupo inclui membros internos e externos à Universidade, representantes das redes pública e privada de ensino e do Governo do Distrito Federal (GDF).

O incentivo à capacidade crítica dos candidatos a ingresso na UnB pelo PAS é um objetivo presente nas escolhas. Tanto na canção de Elza Soares, quanto na de Bia Ferreira, mulheres são protagonistas.

Em Maria da Vila Matilde, de Elza, o tema da resistência contra a violência de gênero domina. Já em Cota não é esmola, de Bia Ferreira, as dificuldades de desenvolvimento de uma jovem negra e periférica em meio à sociedade são pano de fundo para o pensamento crítico.

Itens como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a música Tribunal do Feicebuqui, de Tom Zé, já faziam parte do rol de conteúdos abordados no PAS e foram mantidos.

Um dos pré-requisitos para que as obras sugeridas pelo público pudessem ser acolhidas era o acesso público, por isso, a lista final traz links e indicações de onde encontrar as referências. Os endereços listados contêm a versão oficial que será considerada pelo Cespe na confecção da prova.

Além de obras com o viés da garantia de direitos, estão na lista divulgada pelo DEG reportagem sobre o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 2018, artigo científico sobre os impactos socioambientais do rompimento da barragem de Mariana, em 2015, entrevista sobre inovações da ciência para a indústria, vídeo de um youtuber indígena sobre a diversidade de etnias no país, entre outros.

Dinâmica de escolha
pesar da predominância do público estudantil, participaram da chamada pública professores e representantes da comunidade em geral. A partir de uma listagem pré-definida, o participante pôde votar pela manutenção, exclusão ou alteração das obras utilizadas, distribuídas em cinco grupos: artes cênicas, artes visuais, audiovisual, música e textos.

A proposta é que as obras possibilitem uso interdisciplinar, que é avaliado pela relação que estabelecem com o maior número de áreas de conhecimento.

O grupo de trabalho de revisão de obras – composto por professores das 11 áreas específicas abrangidas pelo PAS – analisa os resultados, verifica o cumprimento dos critérios e encaminha as sugestões de alteração para a comissão.

Depois da escolha, as obras são utilizadas por escolas e cursos como referências na preparação de alunos para a prova. A próxima consulta pública para revisão e atualização de obras do PAS ainda não tem data prevista, mas deve ter foco nos conteúdos utilizados na terceira etapa, já que os da primeira foram discutidos há menos tempo. (Com informações da Secretaria de Comunicação da UnB)

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