Professor festeja vitória de Bolsonaro com churrasco em sala de aula

Emerson Teixeira, autodenominado “Professor Opressor”, publicou vídeo comemorando a eleição com alunos de escola de ensino médio do Guará

atualizado

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Um vídeo publicado pelo professor de matemática Emerson Teixeira, no YouTube, ganhou repercussão na internet. Com quase seis mil visualizações, a gravação divulgada na última segunda-feira (29/10) mostra o educador, que se autodenomina o “Professor Opressor”, comemorando em sala de aula a vitória do candidato Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República.

Nas imagens, Emerson, de 46 anos, festeja a conquista no Centro Educacional 4 do Guará, onde leciona para estudantes do ensino médio. Ele passeia pelos corredores, entoa gritos de guerra e participa de um churrasco promovido pelos alunos. “Hoje, a matemática não é importante. O importante na sala de aula é o churrascão. Dia histórico. Bolsonaro presidente”, disse o docente, na ocasião.

O vídeo – com duração de 4 minutos e 7 segundos – mostra o deslocamento do educador até a escola, em uma motocicleta, e as comemorações. Para não expor os adolescentes, o Metrópoles decidiu não divulgar a gravação. Veja, abaixo, a reprodução das imagens.

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Ele gravou as imagens dentro do Centro Educacional 4 do Guará, onde leciona para estudantes do ensino médio
Professor festeja vitória de Bolsonaro com churrasco em sala de aula - imagem 3
O churrasco foi realizado dentro da sala de aula sem a autorização da direção
De acordo com o docente, os alunos tiveram a ideia na hora do intervalo e ele descobriu a comemoração
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O professor Emerson Teixeira ganhou repercussão após gravar vídeo de comemoração da vitória de Bolsonaro
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O professor Emerson Teixeira ganhou repercussão após gravar vídeo de comemoração da vitória de Bolsonaro

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Ele gravou as imagens dentro do Centro Educacional 4 do Guará, onde leciona para estudantes do ensino médio
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Ele gravou as imagens dentro do Centro Educacional 4 do Guará, onde leciona para estudantes do ensino médio

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O churrasco foi realizado dentro da sala de aula sem a autorização da direção
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O churrasco foi realizado dentro da sala de aula sem a autorização da direção

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De acordo com o docente, os alunos tiveram a ideia na hora do intervalo e ele descobriu a comemoração
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De acordo com o docente, os alunos tiveram a ideia na hora do intervalo e ele descobriu a comemoração

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Emerson pediu desculpa aos professores que se sentiram ofendidos
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Emerson pediu desculpa aos professores que se sentiram ofendidos

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Emerson disse ao Metrópoles ter adotado o posicionamento político em 2012, após viajar para o exterior. “Vi a realidade em outros países e mudei a minha concepção. Inevitavelmente, fazemos a comparação do Brasil com países desenvolvidos. Estive na Suíça, Alemanha, e pude ver como o socialismo atrapalhou nosso país”, pontuou.

O apelido de Professor Opressor, conforme explicação do docente, veio de uma brincadeira com o termo. “Via na internet algumas pessoas chamando os eleitores do Bolsonaro de fascistas opressores, e adotei”, esclareceu. Emerson contou que passou a usar os casos de corrupção no país como forma de contextualizar suas aulas de matemática financeira.

Perguntado sobre o churrasco promovido no dia seguinte ao resultado da eleição, o docente disse que os alunos tiveram a ideia no intervalo da aula. “Combinaram entre eles e eu descobri. A diretora não gostou muito, mas logo suspendemos e não houve prejuízo acadêmico”, lembrou. O professor admitiu que o vídeo causou incômodo entre os colegas, mas ressaltou que fez questão de se desculpar pelo ocorrido.

A direção é bem tranquila, acabei sendo mal visto, mas já conversamos durante uma reunião. Peço desculpas aos professores que se sentiram ofendidos

Emerson Teixeira, professor de matemática

Sem permissão
O Centro de Ensino 4 do Guará, por sua vez, informou que não foi permitido ao professor gravar o vídeo e que o churrasco começou a ser realizado no refeitório no horário de aula. “Foi feito sem autorização e sem conhecimento da direção. Estava atrapalhando outras salas, pois havia uma euforia entre os alunos”, revelou a diretora da escola, Janete de Maria Ribeiro.

De acordo com a gestora, após ter sido “desautorizado”, Emerson pediu desculpas, recolheu as coisas do refeitório “e foi fazer o churrasco dentro de sala de aula, em ambiente fechado”. Fora de seu controle e sem sua anuência, destacou Janete. “Outro aspecto grave foi o uso da imagem dos alunos sem a autorização dos pais.”

A diretora afirmou ter reportado o caso à Regional de Ensino do Guará, que ficará responsável por tomar as providências cabíveis. A educadora salientou que os alunos envolvidos “não sofreram nenhuma punição”.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) comunicou que reúne as informações do caso a fim de encaminhá-las à corregedoria da pasta. Frisou ainda que será instaurado um processo para apurar o ocorrido e definir as medidas cabíveis ao episódio.

Outra polêmica
Uma atividade feita por alunos de oito anos também movimentou as redes sociais e chamou atenção de quem foi às urnas votar na Escola Classe 2 do Guará I, no domingo (28). No mural de uma das salas usadas como seção eleitoral, havia cartazes feitos por estudantes do 3º ano do ensino fundamental com a afirmação de que votariam em Jair Bolsonaro (PSL) porque ele “vai dar armas para crianças, adultos e velhos” e “matar os viados [sic]”.

Na tarefa, intitulada “Se eu pudesse votar…”, os alunos demonstraram apoio tanto ao presidente da República recém-eleito quanto ao candidato derrotado no segundo turno na disputa ao Palácio do Planalto, Fernando Haddad (PT). Porém, foram as declarações e os desenhos sobre Bolsonaro que despertaram a atenção de quem passava pelo local. Nas gravuras, o político aparecia portando armas de fogo, como pistolas e metralhadoras.

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MATERIAL CEDIDO AO METRÓPOLES
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MATERIAL CEDIDO AO METRÓPOLES

“Tenho o costume de reparar nos murais das escolas. Quando vi, achei inacreditável. Não entendi a intenção, se era uma forma de protesto ou um descuido”, contou uma eleitora que votou na unidade de ensino. Ela não quis se identificar.

A diretora do colégio, Cíndia Carpina Cury, disse que a tarefa ocorreu na última sexta-feira (26), em uma turma do turno vespertino. “Fui pega de surpresa. Não vi na sexta. A maioria dos cartazes é sobre o Bolsonaro e alguns têm informações sobre homofobia, mas não sei se as crianças têm esse comportamento nem conheço o contexto em que elas vivem”, afirmou.

Cíndia garantiu que iria reunir os alunos autores das declarações e dos desenhos a respeito de Bolsonaro, os pais deles e docentes para debater o teor da tarefa. “Essas crianças me falaram que têm pensamento radical. É preciso respeitar opinião, mas o que denigre o ser humano não é considerável. Por isso, faço questão de levar esse assunto à sala de aula, intervir pedagogicamente.”

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