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O Conselho de Administração da Universidade de Brasília (UnB) aprovou, na quinta-feira (7/12), a proposta de orçamento para 2018. De acordo com as projeções feitas pela instituição, uma coisa é certa: o próximo ano deve ser de mais dificuldades financeiras para a universidade, que teve os recursos previstos para 2017 reduzidos em 45%. Assim como ocorreu neste ano, a instituição terá de fazer malabarismos e arcar com todas as despesas até o término do exercício.

O orçamento aprovado na quinta (7) prevê aumento de apenas 2% sobre os recursos disponibilizados em 2017, representando um total de R$ 1,7 bilhão para o ano que vem. No entanto, a universidade já inicia 2018 com um déficit de R$ 92,3 milhões, caso seja concretizada a projeção de gastos de R$ 214,5 milhões até o fim do exercício atual.

A maior parte dos recursos da instituição será destinada ao pagamento de pessoal e encargos — 84% do total, ou R$ 1,451 milhão. O valor representa aumento de 7,4% em relação ao gasto em 2017.

Já os recursos destinados a investimentos e ao custeio da universidade serão reduzidos. Os valores reservados para investimentos, inclusive, serão os mais afetados com corte de 50%. Apenas R$ 28 milhões serão repassados com este fim, contra os R$ 56 milhões de 2017.

Já os gastos com custeio cairão 10,2% e vão totalizar R$ 230 milhões. “Essa proposta de lei orçamentária é mais dramática do que a de 2017, porque mantém os recursos baixos e intensifica as nossas dificuldades em função das correções de contratos previstas”, explica a decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional (DPO) da UnB, Denise Imbroisi.

Protesto
Durante a reunião de quinta (7), técnicos-administrativos e terceirizados da instituição protestaram contra a demissão de porteiros, uma das categorias afetadas pelo corte de gastos implementado em 2017. Desde julho, pelo menos 300 funcionários foram demitidos nas áreas de limpeza, recepção e segurança.

“Nossa opção tem sido honrar compromissos. Para isso, não podemos ter dívidas para as quais não há capacidade de pagamento”, argumentou a reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão, sobre as demissões. De acordo com a gestora, a administração está comprometida em dialogar com as categorias.

Na terça-feira (19/12), a administração da UnB deve realizar uma reunião com membros do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) para tratar do tópico.

Crise
Desde o início do ano, a UnB tem enfrentado uma grave crise financeira. Os recursos previstos para 2017 sofreram corte de 45%, e a reitoria foi obrigada a rever as contas. Devido à nova realidade, a instituição elaborou um relatório que previa cortes na ordem de 25% em contratos vigentes de terceirizados, que representavam 75% dos gastos da universidade.

A contenção de gastos também chegou ao Restaurante Universitário, que teve de reduzir porções e eliminar itens como azeite e palitos de dente.

 

 

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