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Cerca de 1 mil estudantes do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 4 do Gama ficaram, por um mês, sem merenda escolar. Os alimentos estavam nas prateleiras, mas não havia merendeiras na instituição para preparar as refeições.

Segundo o vice-presidente do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), André Luiz de Souza Santos, a situação teve início no dia 8 de outubro. Por sua vez, a Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que o problema foi solucionado na última quinta-feira (8/11).

“Os alunos ficaram sem a alimentação escolar. Os trabalhadores da cozinha da unidade de ensino são vinculados à Secretaria de Educação e tivemos conhecimento de que eles haviam entrado com atestado médico, mas a pasta nada fez para corrigir o problema nesse tempo todo”, criticou André Luiz.

O CEF 4 funciona em dois turnos, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, com crianças e adolescentes de 11 a 14 anos. Dos 1 mil estudantes, aproximadamente 100 cumprem a carga integral.

A supervisora da unidade de ensino, Poliana Diniz Moreira de Souza, confirmou a situação ao Metrópoles. “Nós ficamos preocupados com a alimentação deles e, no período sem merendeiras, emitimos comunicados aos pais e responsáveis para cobrar providências junto à secretaria. Também liberamos os alunos mais cedo por uma semana”, explicou.

Os recados aos familiares foram postados no aplicativo do colégio entre os dias 16 e 19 de outubro. Depois da situação normalizada, nessa quinta (8/11), o cardápio contou com macarronada. “Hoje [9] teve vitamina e biscoito”, disse Poliana.

Os pais demonstraram insatisfação com o ocorrido. “É complicado porque tem comida, mas não tem quem faça. Meu filho teve de faltar alguns dias de aula”, reclamou a confeiteira Tenise Loiola de Melo, 50 anos. Segundo ela, muitas crianças contam com a refeição na escola como a única do dia.

Diversos pais não têm dinheiro para dar aos filhos, para lancharem. Se é um direito do aluno, o governo não pode deixar que eles fiquem com fome"
Tenise Loiola de Melo, mãe de aluno

A dona de casa Josy dos Santos Pereira, 39, tem uma filha de 12 anos matriculada no 6º ano e disse ter mandado lanches reforçados a pedido da menina. “Liguei para cobrar explicações porque não aceitamos que fiquem sem comer. Se não repusessem essas merendeiras, havia chance de a comida estragar”, desabafou.

Profissionais insuficientes
O vice-presidente do CAE explica que, de acordo com a recomendação do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), deviam haver sete merendeiras no CEF 4. No entanto, segundo a supervisora da escola, apenas quatro funcionários trabalham na unidade.

“É inadmissível ficar nessa situação. Independentemente de ser a capital do país, uma cidade de interior ou escola em área rural, o acesso à alimentação é um direito básico que está na Constituição”, disse André Luiz.

O outro lado
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação confirmou a suspensão temporária apenas da merenda que necessitava de manipulação das merendeiras. “Isso se deu devido ao afastamento, por motivos médicos, do profissional responsável pela cantina da escola”, informou por meio de nota.

Questionada sobre o motivo da demora para repor os trabalhadores, a pasta não respondeu às perguntas. Ainda segundo o órgão, o Centro de Ensino Fundamental 4 do Gama recebeu na quinta (8/11) dois novos merendeiros. “A distribuição de merenda no centro de ensino está normalizada”, diz o texto.

Procurados, o Sindicato dos Professores (Sinpro) e o Sindiserviços (que representa os merendeiros terceirizados) classificaram o caso como “pontual”.