Ibaneis dá prazo para Gisno apresentar contraproposta à gestão com PM

Governador afirmou, nesta quinta, que aguarda uma solução para melhorar "aquela que é tida hoje como a pior escola do Distrito Federal"

Allane Moraes/Especial para o MetrópolesAllane Moraes/Especial para o Metrópoles

atualizado 23/08/2019 15:09

O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou, nesta quinta-feira (22/08/2019), que estabeleceu prazo para que o Centro de Ensino Gisno, localizado na Asa Norte, encontre uma solução para o impasse sobre a implantação da gestão compartilhada com a Polícia Militar (PM). A escola foi uma das duas que rejeitaram, no último sábado (18/08/2019), a mudança do modelo de ensino.

A outra foi o CEF 407, de Samambaia, onde um aluno foi esfaqueado na porta do colégio após o fim do horário de aulas, na segunda-feira (19/08/2019). Ibaneis determinou que a gestão compartilhada seja implementada na unidade mesmo após o resultado contrário na votação.

No caso do Gisno, segundo o emedebista, o novo formato será suspenso somente se a comunidade apresentar uma solução melhor para elevar os índices escolares. No entanto, não foi informado o tempo que a unidade terá para convencer o emedebista.

“Dei prazo e deleguei ao novo secretário de Educação que conversasse com as lideranças e visse se eles têm outro modelo, porque simplesmente dizer ‘não’ sem apresentar nada para melhorar aquela que é tida hoje como a pior escola do Distrito Federal simplesmente não dá para fazer. Estou aguardando uma resposta”, disse Ibaneis, durante agenda em conjunto com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), no município de Águas Lindas (GO).

O Metrópoles procurou a direção do Gisno, mas foi informado de que a unidade só se vai se posicionar oportunamente. Antes, haverá um encontro com a comunidade escolar para avaliar a declaração do chefe do Executivo local.

Gestão compartilhada

A implementação da gestão compartilhada em cinco escolas do Distrito Federal – além das quatro que adotaram o modelo desde o início do ano – começou na última terça-feira (20/08/2019), sem incluir o Gisno.

A primeira etapa para a parceria entre as secretarias de Educação e de Segurança envolve alinhamentos entre as duas pastas. É nessa fase que são passados detalhes, formas, ações e procedimentos a serem adotados pelos integrantes do novo modelo. Só mais para frente a mudança aparecerá nos pátios e nas salas de aulas dos colégios do DF.

Encontram-se, a partir de agora, as equipes do Centro de Ensino Fundamental 19 de Taguatinga (CEF 19), do CEF 407 de Samambaia, do CEF 1 do Núcleo Bandeirante e do Centro Educacional 1 do Itapoã (CED 1). “Começamos as tratativas com os diretores para viabilizar o modelo. É etapa de reconhecimento. Há todo um processo de adaptação”, explica o secretário de Segurança, Anderson Torres.

A mudança é feita em fases. Depois dos alinhamentos internos que envolvem as alterações administrativas da gestão, agora compartilhada, as novas formas de funcionamento são repassadas aos professores e servidores – como maior rigidez no horário e formação de entrada. Por fim, começa a adaptação junto aos alunos e tem início, de fato, o novo modelo. No CED Condomínio Estância III de Planaltina, as conversas entre as partes estão em andamento.

Secretário exonerado

A rejeição da gestão compartilhada no CEF 407 de Samambaia e no Gisno (Asa Norte) e a decisão do governador Ibaneis Rocha de implementar o modelo mesmo assim abriu um embate dentro e fora do GDF. Na noite de segunda-feira (19/08/2019), o Palácio do Buriti anunciou a exoneração do secretário de Educação, Rafael Parente, que era contra impor a iniciativa nas unidades que rejeitaram a proposta em votação. No lugar dele, assume o atual secretário de Trabalho, João Pedro Ferraz, ex-procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT).

O modelo de gestão compartilhada busca uma educação de excelência para os estudantes da rede distrital, o enfrentamento à violência no ambiente escolar, a promoção da cultura de paz e o pleno exercício da cidadania.

A parte pedagógica continua a cargo de professores, diretores e orientadores. A segurança, incluindo a entrada e a saída dos estudantes, fica com a Polícia Militar, que também trabalha no dia a dia escolar com conceitos de ética e de cidadania, além de promover atividades esportivas e musicais nos chamados contraturnos.

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