No vermelho! Um em cada cinco brasilienses está endividado

Entre janeiro e agosto deste ano, número de moradores do DF com contas atrasadas disparou e cresceu 55%. Cartão de crédito é o grande vilão

atualizado

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Upset Robed Woman Glaring At Her Many Credit Cards.
1 de 1 Upset Robed Woman Glaring At Her Many Credit Cards. - Foto: iStock.

A conta do brasiliense não fecha. Pesquisa revela que 603,6 mil pessoas estão endividadas no Distrito Federal. Equivale dizer que um em cada cinco moradores da cidade – numa população de 2,9 milhões de pessoas – tem dívidas contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês, empréstimos e prestação de carros ou da casa própria. Entre janeiro e agosto deste ano, o número de pessoas com contas atrasadas disparou e cresceu 55%.

Para quase a metade dos endividados (48,5%) não há perspectivas de a situação financeira melhorar nem tão cedo, já que são débitos que levarão mais de 12 meses para serem quitados. Pior. Entre os endividados, 30,3% estão com mais de 50% da renda comprometida com o pagamento de dívidas.

E quem pensa que entre eles a maioria é de baixa renda, engana-se. Os dados de agosto da pesquisa da Federação do Comércio do DF (Fecomércio) revelam que 32,1% dos endividados ganham mais do 10 salários-mínimos (R$ 7.880).

Equilíbrio financeiro e emocional
Os números mostram um cenário preocupante, uma vez que o endividamento põe em risco não apenas o equilíbrio financeiro das famílias, mas também a saúde emocional e psicológica de seus integrantes.

Diante desse cenário de crise econômica, as contas aumentaram e muita gente não conseguiu acompanhar, porque a renda não cresceu da mesma forma

José Eustáquio, economista da Fecomércio/DF

Para o especialista, o percentual de endividados deve aumentar ainda mais nos próximos meses. “Não vejo um cenário que favoreça essas pessoas”, antecipa. De acordo com ele, normalmente essas pessoas se afundam em dívidas quando começam a criar novas contas justamente para pagar contas anteriores.

É o caso da comerciante Mirlaine Lima, 33 anos. “Em um momento tive que pagar minhas despesas com cartão de crédito e, hoje, meu salário se vai todo em juros”, desabafa. Ela não está sozinha: 87,7% dos endividados têm faturas do plástico para pagar. O financiamento de carros (32,9%) e os carnês de loja (17,9%) vêm em seguida. 

Piscitelli é claro: se não cortar despesa, não resolve problema*Daniel Souza/UnB Agência**

Driblando o pesadelo
A melhor saída para essa situação é economizar. “Não tem jeito, tem que cortar gastos”, afirma o especialista em economia doméstica pela Universidade de Brasília (UnB) Roberto Piscitelli.

Para isso, é necessário que a pessoa coloque todas as contas no papel e comece a cortar aquilo que não for essencial.

“As despesas não somem de uma hora para outra, mas com a mudança de hábitos a situação se resolve”, afirma.

Além dessa alternativa, vale também tentar uma renegociação das dívidas na instituição credora. Caso a conversa não renda um acordo, o consumidor pode ainda ir à Defensoria Pública do Distrito Federal. No local, eles prestam auxílio jurídico aos superendividados para que possam parcelar as contas, renegociar dívidas e repactuar contratos firmados anteriormente. A Defensoria fica no SCS quadra 4, edifício Zarife.

Confira abaixo algumas dicas para ajudar você sair do vermelho!

*Arte: Joelson Miranda/Metrópoles**
*Arte: Joelson Miranda/Metrópoles**

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