Lojas “procuram clientes com ou sem experiência” para aumentar vendas
Na Rua das Elétricas, na 109 Sul, empresário usou criatividade para espantar a crise. Colocou faixas que chamaram a atenção da clientela
atualizado
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A criatividade se transformou em alternativa para comerciantes do Distrito Federal que tentam, de todas as formas, driblar a crise que se abateu sobre o setor. Duas lojas na conhecida Rua das Elétricas, na 109 Sul, usaram com muito humor a frase “precisa-se” para atrair a atenção da clientela. Faixas com os dizeres “Precisa-se de clientes, com ou sem experiência” foram afixadas na entrada dos estabelecimentos.
Normalmente, as lojas usam as faixas e outros anúncios para contratar funcionários, mas a dificuldade em manter as vendas em alta fez com que os empresários tomassem o caminho inverso. A brincadeira séria busca melhorar o cenário de queda nas vendas nos últimos meses e fisgar os clientes. Além do atrativo visual, a maioria dos produtos está com desconto que varia de 20% a 50%.
As lojas são do mesmo dono, que está há oito anos no mercado e nunca passou por um momento tão complicado. Para quem passa no local, a ideia chama a atenção. “No mínimo, entramos por curiosidade. Quem sabe lá dentro a gente não encontra algo que precisa”, destaca o servidor público Jefferson Gomes, 51 anos.

Lojas fechadas
Em 14 de fevereiro, o Metrópoles publicou matéria sobre dados que mostram o martírio vivido pelos comerciantes brasilienses. O cenário desanimador influenciou diretamente o comércio varejista do Distrito Federal, que registrou 2.562 fechamentos de lojas durante o ano passado. O número é superior ao de 2015, quando 2.190 empreendimentos encerraram as atividades na capital federal.
Em todo o país, o varejo brasileiro perdeu 108,7 mil estabelecimentos com vínculo empregatício. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio (CNC), e foram divulgados pela Fecomércio-DF.
A pesquisa mostra que o Distrito Federal foi a 11ª unidade da Federação que mais teve falência de lojas varejistas. Em primeiro lugar ficou São Paulo com 30,706 mil lojas fechadas, seguido por Rio de Janeiro (8,338 mil) e Minas Gerais (12,930 mil). O estado que registrou menor retração no número de estabelecimentos foi o Acre (256). Na opinião do presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, o alto custo do aluguel associado à queda nas vendas, em decorrência da crise, afetaram diretamente as lojas.
