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Os brasilienses que precisaram abastecer na manhã desta quarta-feira (4/7) depararam-se com um reajuste de até R$ 0,50 no preço do litro da gasolina. De acordo com os postos, os novos preços são decorrência de dois aumentos autorizados pela Petrobras, na sexta (29/6) e na segunda (2/7), que somam 2,24%. Porém, os valores nas bombas superaram o índice.

“É sempre uma surpresa. A gente nunca sabe quando vai subir ou cair. Não há orçamento que sobreviva a essa política de preços”, reclama a servidora pública Ivonete Madeira, 47 anos. Ela costuma abastecer em um posto no Lago Sul: “Na semana passada, enchi o tanque aqui a R$ 4,29. Hoje, o litro está R$ 4,79”.

O Metrópoles encontrou preços mais em conta no centro de Taguatinga. No Nenen´s, por exemplo, a bomba registra R$ 4,15 para pagamento em dinheiro. Na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), há postos cobrando R$ 4,29. Mesmo valor cobrado em alguns estabelecimentos no Núcleo Bandeirante.

Mas é preciso ser rápido, pois a previsão é de outro aumento nesta quarta (4). “Ainda hoje vamos reajustar. O patrão mandou”, disse um frentista que pediu para não ter o nome divulgado.

Último levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), na semana de 24 a 30 de junho, em 47 postos do Distrito Federal, mostrou que o preço médio cobrado pelo litro da gasolina foi de R$ 4,43, com variação entre R$ 4,19 a R$ 4,89. O mesmo estudo revela, entretanto, que o consumidor do DF chegou a pagar R$ 4,09 em junho.

Carga tributária
A dica é pesquisar antes de sair de casa. Mas é preciso levar em conta que se a distância a percorrer para abastecer for muito grande, a economia na bomba não vale à pena. No Distrito Federal, o litro da gasolina custa ao consumidor até 175% mais caro do que quando sai da refinaria. Ou seja, quase três vezes mais – e poucos motoristas sabem disso.

Desde o dia 19 de fevereiro de 2018, a Petrobras decidiu tornar pública as informações sobre o impacto dos tributos no preço final do produto, que podem ser encontradas no site da empresa. Na página virtual, também é possível descobrir todos os insumos usados na fabricação da gasolina, bem como entender quais tributos elevam tanto o valor do combustível.

As planilhas disponíveis mostram que os impostos são os maiores responsáveis por manter o produto a cifras assustadoras. Cerca de 45% do valor final da gasolina é referente a encargos, sendo 29% deles estaduais – a exemplo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – e 16% federais – como Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).