Franquias do DF faturam R$ 1,2 bi no terceiro trimestre do ano

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising, investimentos nas empresas da capital variam entre R$ 30 mil e R$ 765 mil

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 18/11/2019 21:39

Se os negócios vão de vento em popa, é natural que os empresários decidam expandir e alçar novos voos. Uma das opções de crescimento, então, passa a ser a franquia. Esse tipo de negócio “copia” o modelo de operação de uma empresa existente, e o transfere para outro ponto comercial, após um investimento de uma pessoa interessada em se tornar franqueada.

Tudo o que envolve a gestão, a operação e a divulgação da empresa é repassado para o empreendedor que decide abrir a franquia. Isso inclui a transferência do planejamentos de venda, do marketing, da operação e do atendimento. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) define o processo como um “Control+C” e “Control+V”.

Empresas nascidas no Distrito Federal oferecem esse modelo de negócio e o faturamento delas no terceiro trimestre deste ano alcançou R$ 1,2 bilhão — 6% a mais que no mesmo período de 2018. E algumas delas chegam a estados de todas as regiões brasileiras. A ABF lista 16 opções de companhias do Distrito Federal que permitem a abertura de franquias.

Uma delas é a Magnólia Papelaria, criada em fevereiro do ano passado. Igor Vendas, um dos sócios, conta que o projeto já foi desenvolvido de maneira que pudesse se transformar facilmente em franquia. No entanto, o empresário não imaginava que a papelaria brasiliense faria sucesso tão rápido.

Foram apenas três meses entre a inauguração e a abertura de um estande, elaborado para shopping centers, pelo primeiro franqueado, em Goiânia. Vendas conta que, atualmente, a Magnólia tem 37 unidades em nove estados, abrangendo todas as regiões do país. “Vamos fechar o ano com 40”, conta.

 

Hoje, o crescimento da empresa depende exclusivamente das franquias. “São poucas unidades próprias, que usamos para testar produtos, fazer treinamentos”, explica Vendas. O empresário conta que ter sido um franqueado ajudou no processo. “Sabemos as dores que eles têm. Passamos por todo o perrengue.”

Pensando nisso, o atendimento ao franqueado foi bem estruturado e conta com uma equipe de 15 funcionários, desde o marketing até à logística. Vendas afirma que o lucro do franqueado também é uma preocupação dele e dos sócios. “Muitas franquias operam com uma margem [de lucro] baixa e a rentabilidade do franqueado acaba sendo baixa também. Nos preocupamos com isso.”

Mais segurança

O modelo de negócio já elaborado e validado pelo mercado é uma das vantagens apontadas por especialistas. “A diferença entre empreender [do zero] e fazer uma franquia é a segurança que um modelo de negócio te dá. É estruturado”, explica o professor de gestão de projetos do Ibmec Edson Machado Filho.

O docente afirma que essa modalidade pode ser uma boa opção para quem vai empreender pela primeira vez, principalmente em um ramo que não tem costume de atuar. “O risco de não dar certo é menor”, conta Machado Filho.

O professor acredita que as franquias atraem com mais frequência o empresário que veio do mundo corporativo. “Ele precisa de modelos consagrados para que possa ter um pouco mais de segurança. Empreender do zero para quem vem de um mundo corporativo é muito difícil”, afirma. Segundo Machado Filho, essas pessoas estão acostumadas com regras e modelos estabelecidos nas empresas que trabalharam anteriormente.

Mesmo com todas as vantagens, quem opta por essa modalidade deve ter em mente que, assim como em outros tipos de negócio, é preciso ter paciência para os resultados. “Qualquer empreendimento não vai abrir hoje e dar lucro daqui três meses.” De acordo com a ABF, o retorno da quantia investida inicialmente costuma oscilar entre 24 e 36 meses — de 2 a 3 anos. Esse período, no entanto, depende da atividade

Outro ponto que se deve considerar é a impossibilidade de mexer no padrão estabelecido pela franqueadora. Cardápio, em casos de redes de restaurantes; preço; design das lojas; e produtos são todos definidos pela “empresa-mãe”. “Apesar de ter uma ideia, você não vai poder usar”, explica Machado Filho.

Já do lado do franqueador, principalmente aquele que não tinha a intenção de migrar de modelo de negócio, é importante se atentar ao fato de que o cliente passa a ser outro gestor, e não o consumidor final.

Redes de restaurantes

Dados da ABF apontam que Brasília tinha, até o primeiro semestre deste ano, 2.599 franquias. A capital perde apenas para São Paulo, com 12,9 mil unidades, e Rio de Janeiro, com 6,5 mil. Entre 2018 e 2019, o Distrito Federal ganhou 156 novas lojas nesse modalidade.

Para a cidade, o faturamento foi de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre deste ano. O crescimento, em relação ao mesmo período de 2018, chegou a 6%. Os investimentos no DF, de acordo com a associação, variam entre R$ 30 mil e R$ 765 mil.

O segmento com o maior número de unidades é de alimentação, com 916 franquias. Esse é o setor de um dos estabelecimentos mais conhecidos. Criado em 1981, o Giraffas tem 400 unidades em todo o país — a primeira fora do estado é de 1992, em Goiás.

Quase três décadas depois, muito mudou em relação ao mundo das franquias, conta Eduardo Guerra, diretor de expansão e implantação do Giraffas. Tecnologias, modelo de gestão e indústria se transformaram ao longo dos anos.

“No início da década de 1990, as pessoas praticamente não sabiam o que era o sistema de franquia. Mas a essência de quando a gente começou — o relacionamento, proximidade, construção coletiva do negócio — continua até hoje”, afirma Guerra.

O diretor da rede de restaurantes afirma que um dos principais desafios é manter a comunidade unida, com um mesmo propósito e no mesmo alinhamento estratégico. “Manutenção do padrão, qualidade dos fornecedores, transformação dos produtos dentro do restaurante também são grandes desafios”, aponta.

Entrevistas e visitas

A Panelinhas do Brasil (foto em destaque) é outro exemplo de rede brasiliense de restaurantes que expandiu. A empresa já está em Campinas (SP) e até o fim deste mês chega à capital paulista. Atualmente, o foco dos empresários é o eixo Rio-São Paulo.

“O primeiro restaurante abriu em 2012, na Feira dos Importados. Dois anos depois, vimos que daria um ótimo modelo de franquia”, conta Thiago Brito, responsável pelo marketing e comunicação da rede. Ter franqueados se tornou o melhor caminho para o crescimento.

Brito explica que o processo para os candidatos a franqueados é composto por algumas etapas. Primeiro, há uma análise do perfil do empreendedor e entrevistas. Em um outro momento, após a conclusão de que as duas partes são compatíveis, o possível franqueado tem contato direto com a empresa, com visitas à fábrica e unidades e conversa com todos os departamentos para conhecer de perto o funcionamento das operações.

Claudia Vobeto, diretora regional da ABF no Centro Oeste, aponta que esse momento exige calma, tanto pelo franqueado quanto pelo franqueador. “É preciso ter cuidado com alguns fatores: experiência do franqueador, tempo de mercado, conversas com fraqueados, olhar os contratos com atenção e não fechar o negócio com pressa”, orienta.

No outro lado, a recomendação para o franqueador é mapear bem o perfil do candidato. “Para não trazer deficiências ao negócio”, completa Vobeto. Ainda de acordo com ela, antes de liberar as franquias, é importante ter experiência. “Se você não testou seu negócio o suficiente, não dá para colocar na mão de ninguém”, afirma.

Para alcançar o sucesso, Vobeto afirma que as duas partes precisam desempenhar seus papeis de forma pragmática. “O franqueador tem o papel muito claro de olhar para o mercado e trazer inovação; dar o suporte necessário para o franqueado; ter uma equipe adequada; estar de olho no concorrente.” Já os franqueados devem seguir os modelos e regras estabelecidas pelas empresas.

Panorama nacional

O setor vem crescendo em todo o Brasil, segundo pesquisa da ABF. No terceiro trimestre do ano passado, o faturamento foi de R$ 44,4 bilhões em todo o país. No mesmo período deste ano, a cifra subiu para R$ 47,2 bilhões — a evolução alcançou 6,1%. O saldo de abertura e fechamento das empresas também aumentou: em 2018, atingiu 2,2%; já em 2019, o superavit bateu 2,9%.

Entre os setores que mais faturaram no terceiro trimestre deste ano está o de alimentação, com R$ 12,2 milhões. Em seguida, aparece o de saúde, beleza e bem-estar, que conquistou R$ 8,1 milhões. O setor de serviços completa o pódio: R$ 7 milhões.

Os destaques de crescimento, no entanto, ficam com o de casa e construção (9,1%); moda (8,6%); comunicação, informática e eletrônicos (8,3%); e hotelaria e turismo (7,2%). A geração de emprego também traz resultados positivos. O aumento de empregos diretos gerados pelo setor foi de 4%, quando comparados os terceiros trimestres de 2018 e de 2019. Para todo o país, o valor de investimento pode variar entre R$ 5 mil e R$ 36 milhões.

O que considerar antes de abrir uma franquia:
  • Analisar se o perfil do empreendedor é semelhante ao que o franqueador escolhido busca nos parceiros
  • Alinhar-se ao planejamentos de venda, marketing, operação e atendimento determinados pela empresa
  • Conhecer de perto os processos de gestão da rede escolhida, com visitas e conversa com franqueados
  • Estudar o setor de interesse
  • Escolher um negócio que caiba no orçamento e no fluxo de caixa
  • Avaliar as tendências do mercado

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