Ações do Bradesco registram queda de até 17% e afetam Bolsa
Dados da Economatica, apontam que esse foi o pior resultado diário dos papéis desde 1998; a inadimplência foi a principal vilã
atualizado
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Riscos que já vinham sendo estimados pelo mercado de capitais se concretizaram durante o dia de hoje (9/11). As ações do Bradesco acumularam perdas de até 17% nas preferenciais (BBDC4), registrando a maior queda diária desde 1998, segundo cálculos da Economatica. Tal resultado afetou o setor bancário como um todo. Os papéis do Itaú e do Santander também perderam cerca de 5% e 3% do valor do fechamento anterior.
O desempenho negativo das ações veio após a divulgação do balanço do terceiro trimestre do banco. Os números apresentados foram considerados fracos pelos analistas. O índice de inadimplência, em especial, subiu 0,4 ponto porcentual. Um relatório do Goldman Sachs apontou que, não fosse a venda de carteiras vencidas, ela teria aumentado 4,2%.
Para Felipe Pontes, diretor operacional da Economatica, esse foi o ponto determinante da queda. “O Brasil está com uma taxa real de juros muito alta e isso pode piorar a inadimplência dos bancos brasileiros”, afirmou. “Como o cenário macroeconômico ainda está bastante complexo, qualquer sinal negativo um pouco mais acentuado teria a capacidade de derrubar as ações de forma abrupta. Foi o que aconteceu.”
No fim de outubro, o Santander já havia reportado lucro líquido gerencial de R$ 3,122 bilhões no terceiro trimestre, cifra 23,5% menor em relação ao mesmo período anterior. A consultoria TradeMap observou que o Bradesco e o banco de origem espanhola têm em comum a exposição a pessoas físicas, o que agrava a questão da inadimplência. No início da noite de hoje, o Banco do Brasil apresentou seu balanço para o terceiro trimestre, cujos resultados ainda estavam sendo avaliados pelo mercado. Amanhã, quinta-feira (9/11), após o fechamento da Bolsa, é a vez de o Itaú fazer o mesmo.
