Eclipse será visível a partir das 17h. Saiba onde observar em Brasília

Parques Asa Delta e o Península, no Lago Sul, Observatório da UnB e Praça dos Três Poderes são os pontos mais estratégicos

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 27/07/2018 13:42

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) vai ampliar o horário de funcionamento dos parques Asa Delta e Península, na orla do Lago Sul, nesta sexta-feira (27/7), para quem quiser assistir ao eclipse lunar, a partir das 17h.

Astrônomos amadores também vão se instalar no local, com lunetas e telescópios. Segundo eles, a área é um dos melhores pontos do Distrito Federal para ver a Lua cheia se esconder nas sombras da Terra. Localizados na QL 12 do Lago Sul, os parques fecham às 18h. Mas, nesta sexta, ficarão abertos até as 22h.

A partir das 17h30, os membros do Clube de Astronomia de Brasília devem começar a posicionar os telescópios na Praça dos Três Poderes. O evento é gratuito, e quem não tem equipamento poderá espiar as lunetas espalhadas pelo local, além de ouvir as explicações dos membros do clube.

A expectativa é de que a Lua apareça no horizonte leste (virado para o Lago Paranoá, na direção contrária do pôr do sol), por volta das 17h57. Por isso, o lago também será uma boa opção para quem quiser curtir o fenômeno.

O Observatório Astronômico da Universidade de Brasília (UnB) também estará aberto, na Fazenda Água Limpa, no Núcleo Rural Vargem Bonita (SMPW, Quadra 127, Conjunto 1).

No que consiste o eclipse lunar desta sexta?
O professor Paulo Bretones, do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), explica que eclipses lunares só acontecem na fase cheia da Lua, quando ela penetra na sombra em forma de cone que a Terra projeta no espaço. “Imagine que o Sol está no centro de uma mesa, com a Terra girando em torno dele nesse mesmo plano. A Lua também está girando em torno da Terra, mas o plano de sua órbita é inclinado um pouco mais de 5 graus em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo dela”, explica Bretones. “Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra e, além disso, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar.”

Ao passar entre o Sol e a Lua, a Terra produz uma sombra escura sobre o disco lunar – a umbra – e a penumbra, que é uma região cinzenta. Só quando a Lua está completamente mergulhada na umbra se considera que há um eclipse total em curso. O eclipse parcial ocorre quando só uma parte da Lua está na umbra. E o eclipse penumbral acontece quando só se vê a Lua coberta pela penumbra.

Em qual horário e de onde será possível observá-lo?
Todo o Brasil poderá ver nesta sexta, o eclipse lunar. Quanto mais próximo do litoral leste do país (costa leste do Nordeste, áreas próximas ao litoral do Sudeste e do Sul), maior será o tempo de visualização do fenômeno. O eclipse só será visível – parcial ou totalmente – em metade do mundo: África, Europa, Ásia, Austrália e na parte leste da América do Sul. Os melhores posicionados para assistir ao espetáculo serão os habitantes da África, do Oriente Médio e da Índia.

A parte mais impressionante do fenômeno ocorrerá das 16h30, quando a Lua ainda estará abaixo da linha do horizonte. Em São Paulo, terá duração de 1h49, começando às 17h41. Entre as capitais, se não houver problema com nebulosidade, o maior tempo de visualização será em Recife, segundo a Climatempo, onde o evento terá duração total de 3h14min, com início às 17h15min, em Natal, onde o eclipse começa às 17h19 e terá duração de 3h09min, e em João Pessoa, onde o eclipse total lunar poderá ser visto por 3h12min, a partir de 17h16min.

Preciso de equipamentos específicos?
Você não vai precisar de nenhum equipamento especial para ver o eclipse lunar total, apenas dos seus olhos e de paciência, informa a Climatempo. Eclipses lunares podem ser observados a olho nu, mas se você tiver um binóculo, de preferência um especial para a observação astronômica, ou uma câmera fotográfica digital terá uma visão privilegiada.

O que pode atrapalhar a visualização?
No período do eclipse penumbral, mesmo que o céu esteja sem nuvens, se você estiver num centro urbano, onde há muita luz artificial que produz o que os astrônomos chamam de “poluição luminosa”, a visualização do eclipse não será boa quanto num lugar escuro, com pouca luz artificial . Mas se você for, por exemplo, para uma estrada onde já não tenha mais os postes de iluminação pública, já estará num local suficientemente escuro para ter uma visão mais nítida do eclipse, lembra a Climatempo.

Por que a lua visível nesta sexta está sendo chamada de “lua de sangue”?
Quando estiver totalmente imersa na umbra, a Lua não ficará invisível, mas deverá ganhará uma cor de cobre, avermelhada, “de sangue”. Isso ocorre porque, embora a sombra da Terra não deixe que os raios de Sol cheguem diretamente à Lua, ela é atingida por raios que são refratados pela atmosfera terrestre.

“Os componentes da luz branca que produzem as cores vermelha e laranja se espalham mais pela atmosfera, cobrindo o céu com essas cores semelhantes às que vemos no alvorecer e no crepúsculo. A refração transforma as cores em sombra, por isso a Lua fica avermelhada”, explica o professor Bretones.

E quanto à aproximação de Marte, é um fenômeno frequente?
De acordo com o jornal americano The New York Times, a oposição, como é chamada a aproximação, é um alinhamento que ocorre uma vez a cada dois anos. Durante esse evento, o planeta vermelho aparecerá mais brilhante que as estrelas. Normalmente, o planeta mais brilhante no céu da Terra é Vênus seguida por Júpiter. Mas, nesta sexta, Marte emanará tanta luz quanto elas.

A agência espacial americana Nasa tende a lançar suas missões espaciais a Marte nesses períodos de aproximação. Por exemplo, as missões que lançaram os robôs Opportunity e Spirit aconteceram em 2003. Naquele ano, a aproximação atingiu a menor distância em 60 mil anos.

(Com informações das agências Estado e Brasil)

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