Dono de boliche acusado de homofobia é perito da Polícia Federal

A vítima alega ter sido agredida e expulsa do estabelecimento pela filha do servidor após ser vista beijando outra mulher

atualizado 29/06/2022 23:13

Reprodução/Redes sociais

Um dos donos do estabelecimento Capitão Boliche, denunciado por homofobia nessa segunda-feira (27/6), é perito contábil da Polícia Federal em Brasília e se chama Renato Rodrigues Barbosa. Duas mulheres acusam terem sido expulsas pela filha do servidor após se beijarem no banheiro do local, em Sobradinho.

Por meio de publicações nas redes sociais, Brenda Araújo, de 24 anos, relatou ter ido ao espaço com a namorada, que era funcionária do boliche, e outro amigo para comemorar o aniversário da mulher acusada de expulsá-las.

“A filha do proprietário viu a gente dando um selinho no banheiro e mandou irmos embora. Depois, dois funcionários apareceram e empurraram eu e a minha namorada. Um deles ainda deu um soco no rosto do meu amigo, tomaram meu celular e ameaçaram quebrar o aparelho. Fomos expulsos de lá”, detalhou a jovem.

No registro do Capitão Boliche, consta que Renato é o sócio cotista e a filha dele, a sócia administradora. O estabelecimento foi aberto em 2020, no Grande Colorado, e entre as principais atividades estão: aluguel de equipamentos recreativos, restaurante e bar, tabacaria e discoteca.

Conforme previsto no Art 117, inciso X, da Lei 8.112, aos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais é proibido participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário.

Os envolvidos foram encaminhados para a 13ª DP (Sobradinho), onde a ocorrência foi registrada. Segundo Brenda, em frente à delegacia, eles foram vítimas de outra tentativa de agressão por parte da gerente e dos funcionários.

Veja o vídeo da confusão:

 

“Eles tentaram vir para a cima da gente novamente. A mulher, que estava mais exaltada, ainda chamou o meu amigo de ‘viado desgraçado’. De acordo com eles, a violência se deu porque era um ambiente de família e ia contra as diretrizes, apesar de ter vários casais héteros se pegando no saguão”, conta ela.

Em depoimento, a filha do policial federal relatou que o pai fica monitorando as câmeras do local e não permite que ocorra “pegação” de funcionários no local de trabalho. Como eles já sabiam dessa condição, ela teria se exaltado e decidido acabar com o seu aniversário. Disse que pediu para todos os convidados irem embora e negou agressão.

A confusão teria continuado mesmo depois de deixarem a delegacia. De acordo com a vítima, dois funcionários começaram a segui-los pela cidade e chegaram a tentar agredi-los dentro de um supermercado da região. “Tivemos que voltar para a delegacia, porque fomos coagidos”, lamentou.

Por meio de nota, o estabelecimento manifestou-se dizendo que “não compactua com esse tipo de postura e repudia qualquer incitação ao ódio ou discriminação”.

O Capitão Boliche também ressaltou que “estes desdobramentos já são inclusive do conhecimento da autoridade policial competente, que já colheu depoimentos e apura os fatos quanto à falsa autoria de crime de homofobia indevidamente atribuído ao Capitão Boliche.”

A reportagem do Metrópoles tentou outro contato com o empreendimento para saber se o sócio Renato Rodrigues se manifestaria sobre a denúncia no seu estabelecimento, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

Diante da repercussão do caso, Brenda compartilhou um pedido para que amigos e conhecidos denunciassem o perfil no Instagram do estabelecimento. Na noite de terça, a conta já havia sido desativada. Porém, nesta quarta-feira (29/6), o empreendimento publicou nota de repúdio.

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