DF: ônibus onde cadeirante foi morto passa por nova perícia

Peritos buscam digitais de suspeito de matar com um tiro no peito Marcílio Pereira, 57 anos

atualizado 30/10/2019 12:51

PCDF/Divulgação

O ônibus da Viação Piracicabana onde um cadeirante foi assassinado na terça-feira (29/10/2019) passa por nova perícia nesta quarta-feira (30/10/2019). Os investigadores buscam as digitais do acusado pelo disparo fatal, que ainda não foi preso. A PCDF confirmou que um comparsa aguardava o suspeito do outro lado da BR-020, onde ocorreu o latrocínio (roubo seguido de morte).

A câmera do coletivo pode não ter funcionado na hora do assalto. O chefe da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho), Hudson Maldonado, solicitou as imagens, mas a empresa de transporte alegou problemas técnicos com o equipamento. Sem os vídeos, a Polícia Civil do DF tenta identificar o autor do latrocínio por meio do depoimento de testemunhas e de vestígios coletados pela perícia no coletivo.

Marcílio Pereira, 57 anos, seguia para uma igreja católica, no Plano Piloto, quando um bandido entrou no veículo, em Sobradinho, e anunciou o roubo. Ele teria reagido e levado um tiro no peito. O velório dele está previsto para a tarde desta quarta-feira (30/10/2019), às 16h. O enterro será às 17h. Ambos estão marcados para no Cemitério Municipal da Redenção, em Planaltina de Goiás. Segundo Jessica Pereira Nunes, sobrinha do cadeirante morto, a família decidiu doar os órgãos dele.

Reação

Marcílio morreu após reagir a um assalto no ônibus da linha 640.2. Imagens da câmera de segurança de um outro coletivo, que vinha atrás, mostram o momento em que o homem acusado de efetuar o disparo desce do veículo. Na gravação, é possível ver o bandido com um boné e uma sacola na mão, onde estariam os pertences dos passageiros roubados.

O criminoso saiu do coletivo momentos após puxar o gatilho e tirar a vida de Marcílio. A vítima seguia para uma igreja no momento do assalto. A família informou não ter sido a primeira vez que o cadeirante reagiu a um assalto. “A gente tentava falar, mas meu tio dizia que nunca ia deixar o assaltarem. Das outras vezes, os bandidos só bateram nele. Agora, não teve sorte”, contou a sobrinha.

Marcílio,  segundo a sobrinha, sofria com distúrbios mentais e morava com a irmã e a mãe, portadora de Alzheimer. De acordo com Jéssica, os familiares estão em choque com a notícia da morte do parente.

À reportagem, Jessica a descreveu Marcílio como um “tio amoroso que sempre quis cuidar da família”. “Ele tinha seus defeitos, como todo ser humano, mas era extremamente carinhoso e sentimental. Quando a gente brigava com ele, era o primeiro a chorar. Minha avó (mãe da vítima) está em choque, tem chorado o dia todo”, disse.

Veja o vídeo. O suspeito aparece a partir do segundo 52:

Terror

Passageiros da linha 640.2, que fazia o percurso Planaltina/W3 Norte e Sul, viveram momentos de terror. Por volta das 10h30, um homem entrou no coletivo na BR-020. Segundo as testemunhas, inicialmente, o bandido ficou na frente, só observando. Depois, pagou passagem e começou a assaltar as vítimas. “Passa o celular, passa o celular”, ordenava.

Letícia Andrade, 29 , estava entre os cerca de 40 passageiros do ônibus da Piracicabana. “Ele (assaltante) passou com uma sacola grande de supermercado recolhendo os nossos pertences. Muitas pessoas estavam agachadas. Quando estava perto de descer, o senhor o agarrou pela cintura e aí eu escutei dois disparos. Foi um desespero, muitas pessoas nervosas e chorando”, contou.

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Um tiro atingiu Marcílio. O outro, o teto do ônibus. A auxiliar de limpeza Maria do Socorro Silva, 56, disse que estava mexendo no celular e, quando se deu conta, todas as vítimas estavam no chão.

“Ele (assaltante) passou gritando: ‘Passa o celular, passa o celular!’. Até então não queria entregar, e muitas pessoas também não. Mas, depois do tiro, todos ficaram com medo e entregamos. Não tive coragem de olhar para o rosto dele. Foi horrível, uma cena de terror”, relatou a trabalhadora.

 

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