DF: jovem diz ter sido agredida em boate após tentar abraçar MC

Em vídeo que circula pelas redes sociais, segurança arrasta e joga a moça no chão. Ela bate a cabeça na calçada, no Pistão Sul

Jak Spies/MetrópolesJak Spies/Metrópoles

atualizado 10/12/2019 12:00

Seguranças da boate People’s, no Pistão Sul, são acusados de agredir duas irmãs na noite de sábado (07/12/2019). Em depoimento à polícia, uma delas contou que foi abordada por uma vigilante dentro do estabelecimento. Relatou também que foi contida de forma violenta quando tentou subir no palco, onde um cantor se apresentava.

Vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que a jovem é retirada do local e jogada violentamente contra o chão. Depois, a vigilante ainda arrasta a mulher e um outro segurança fecha o portão. Um rapaz tenta ajudar a moça caída, enquanto outro filma toda a ação.

Além das agressões, a vítima denuncia que teve o celular furtado. A outra garota, que também estava na festa, afirmou ter levado um soco ao tentar intervir. As duas irmãs foram identificadas como Beatriz e Brenda Fernandes.

Beatriz fez uma postagem do ocorrido nas redes sociais. “O que eles fizeram poderia ter deixado grave sequela na minha irmã”, disse a jovem. Ela confirmou que os seguranças usaram de violência “por motivo fútil”. E afirmou que “casa de show não entrou em contato nem para saber se ela estava viva”.

Reprodução/Facebook

Segurança identificada

A segurança que aparece no vídeo agredindo a jovem na boate People’s do Pistão Sul, Taguatinga, foi identificada e será ouvida pela polícia esta semana. O nome, porém, ainda não foi divulgado. As vítimas registraram ocorrência na noite de domingo (08/12/2019), na 21ª DP.

“A moça (vítima) teve um problema na boate, foi retirada e tentou entrar de novo. Mas isso não justifica de forma alguma o que houve. A agressão mostrou um descontrole emocional da segurança, uma falta de profissionalismo. Quando você trabalha com pessoas que ingerem grande quantidade de álcool, é necessário ter paciência e controle”, disse Carlos Henrique Rodrigues de Oliveira, proprietário da People’s Lounge Bar.

O dono do estabelecimento diz que, ainda no sábado, a segurança foi afastada, e o contrato com a empresa Guerra Segurança, cancelado. “A gente repudia completamente essa conduta. Tudo tem que ser investigado e estamos colaborando com a polícia. Não houve realmente um grau de preparo da segurança”, afirma o dono da People’s.

Embora não tenha registro de atendimento da Polícia Militar sobre a agressão contra a mulher, a corporação atuou duas vezes na mesma boate durante a madrugada de sábado (07/12/2019): por volta das 3h30, um homem foi abordado com uma faca e, às 4h30, outra pessoa foi presa por desacato e desobediência.

 


Sem autorização

O Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal (Sindesv) afirmou que a prestadora de serviços Guerra Vigilância atua de forma clandestina e não tem autorização da Polícia Federal para desempenhar atividades nesse ramo.

“A cada três meses, a Polícia Federal manda uma relação de empresas aptas a trabalhar com vigilância, e a Guerra não está nesta relação. A segurança clandestina é um problema e, hoje, poucas boates contratam empresas autorizadas pela PF. O problema se repete em supermercados”, denuncia o diretor do Sindesv, Gilmar Rodrigues.

O Metrópoles tentou contato com a empresa Guerra Vigilância por meio de dois telefones e nenhum dos números foi atendido. A reportagem também questionou a Polícia Federal sobre a autorização de atuação da prestadora de serviços e aguarda resposta.

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