Desaparecido por 2 anos, filho reencontra mãe em UPA do DF

Ele sofre de distúrbios mentais e havia fugido de casa, no final de 2018, em Padre Bernardo, município goiano a 80 quilômetros de Brasília

atualizado 01/03/2021 18:55

Arquivo pessoal

Há mais de dois anos convivendo diariamente com a angústia de não saber o paradeiro do filho, Edite Francisca da Silva, 67 anos, recebeu na tarde do último sábado (27/2) reposta à súplica em suas preces. O filho, Ronaldo Gonçalves, 42, foi encontrado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião.

Tudo começou no final de 2018, em Padre Bernardo, município goiano a 80 quilômetros de Brasília, onde Ronaldo morava com a mãe.

Na adolescência, Ronaldo foi diagnosticado com esquizofrenia. Tomava remédios controlados, mas nem sempre aceitava os medicamentos. “Foi num desses dias sem a medicação que ele fugiu de casa e nunca mais voltou”, relata dona Edite.

Não se sabe como Ronaldo foi parar em Brasília – apenas que ele virou morador de rua. Nessa condição, ele foi encontrado por uma patrulha da Polícia Militar em um terreno baldio próximo à UPA de São Sebastião. Ali, a equipe de serviço social o recebeu e passou a tentar descobrir quem era aquele novo paciente.

Busca

Mesmo maltrapilho, sujo e magro, o homem estava clinicamente bem. Não sabia, porém, nem o próprio nome. Começava aí uma operação solidária para identificar o paciente e descobrir quem eram seus familiares.

A equipe da UPA recorreu à Polícia Civil. Não demorou muito para desvendar o mistério. Pelas digitais, descobriu-se que ele já havia sido internado em uma clínica em Brasília. “Ligamos para a clínica e lá conseguimos o telefone da mãe dele”, relata a assistente social Amanda Kelly de Souza, que cuidou diretamente do caso.

Pelo telefone, dona Edite recebeu a melhor notícia de sua vida: seu filho estava vivo, bem cuidado e em boas mãos. Era o fim de dois anos de angústia e rezas diárias.

No sábado, ela saiu de Padre Bernardo com Vicente, padrasto de Ronaldo, e seguiu para a UPA de São Sebastião. Lá encontrou o filho mais velho, Juvercino Gonçalves. Chegou tremendo, ávida para rever o outro rebento, mas feliz e aliviada por reencontrar Ronaldo.

“Quando a gente fica sem receber notícias, pensa em tudo quanto é coisa”, contou, emocionada. “O que me restava era rezar e pedir para que nenhum mal chegasse nele. Agora estou aliviada”, completou.

Reencontro

Ronaldo não esboçou reação ao rever a mãe. Ficou calado e de olhos fechados, mergulhado em seu próprio mundo. Foi reagindo aos poucos. Ao ser perguntado se sabia quem era dona Edite, ele respondia positivamente com a cabeça. A barreira da distância se rompia. Mãe e filho, enfim, estavam juntos novamente.

O homem, agora, vai receber o tratamento médico que a doença dele requer. A direção da UPA de São Sebastião aguarda uma vaga no Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga, referência no tratamento de pacientes com transtornos mentais. Dona Edite poderá visitá-lo sempre que quiser. Um alívio para quem passou dois anos sem qualquer notícia do filho.

Para a gerente da UPA de São Sebastião, Úrsula Naiara, mais uma missão foi cumprida. “Agradeço às assistentes sociais da UPA pela dedicação e à Polícia Civil, pois sem eles, nada disso seria possível”, declarou. “Saber que a UPA de São Sebastião foi o palco desse encontro com um final feliz é motivo de muito orgulho”. (Com informações da Agência Brasília)

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