Depósito de produtos falsificados e contrabandeados apreendidos pela polícia está com capacidade no limite
Com aumento das apreensões e greve no Judiciário, galpão da Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial ficou cheio. Delegada propõe que parte dos itens seja doada

A Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DCPIm) busca uma alternativa para esvaziar o seu depósito, abarrotado com as mais de 77 mil peças de vestuário falsificadas e os 650 mil produtos piratas e contrabandeados apreendidos ao longo de 2015. O local conta com apenas 26 conjuntos de prateleiras, estrutura insuficiente para a grande quantidade de material retirado das ruas do Distrito Federal. No local é possível encontrar de quase tudo: de guarda-chuva a impressoras.

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Ver todasA titular da delegacia, Mônica Ferreira, destaca que a lotação é consequência do aumento das apreensões de produtos piratas e falsificados. Boa parte dos produtos armazenados no depósito veio de operações realizadas na Feira dos Importados, um duro golpe na máfia chinesa que atua no local. CDs e DVDs piratas lideram o ranking das apreensões feitas no ano passado, com 254.287 mídias (veja quadro abaixo).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFSó em função de fianças pagas por pessoas presas por comércio de produtos piratas, falsificados e contrabandeados, a delegacia engordou em R$ 179,6 mil os cofres públicos.

Para resolver o problema, a delegada chefe da DCPIm, Mônica Ferreira, quer dar um destino social a pelo menos uma parte das mercadorias, o vestuário, que seriam doadas a entidades beneficentes. Ela defende, ainda, a autonomia da Polícia Civil para destruir mercadorias que apresentam risco ou não podem ser reutilizadas, como é o caso dos brinquedos falsificados.
Esses produtos, em especial, são arriscados para crianças uma vez que não passaram pela avaliação do Inmetro. Têm peças pequenas, tinta tóxica e desmontam fácil. Um perigo principalmente para as crianças.
Delegada Mônica Ferreira
“O combate à pirataria, falsificação e ao contrabando foge aos padrões normais de custódia de bens da polícia e Justiça. É um tipo de repressão a crimes relativamente novo, pois só existem três Delegacias Especializadas no País: a nossa, Pernambuco e Rio de Janeiro”, argumenta a policial.

Falso Legal
Preocupada com a situação, Mônica Ferreira elaborou um projeto, batizado de Falso Legal, que permitiria a doação de parte do material apreendido.
Segundo a delegada, a ideia é fazer parceria com instituições e empresas que possuem o maquinário necessário para descaracterizar as marcas falsificadas estampadas nos produtos de vestuário.
A iniciativa, se aprovada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), pode beneficiar os brasilienses carentes, afirma. “Nem a Justiça, tampouco nós, tem espaço e pessoal para armazenar tantos itens. Somos a delegacia que tem maior número de apreensões”, destaca. Para a policial, uma opção é trabalhar em conjunto com a Fundação de Amparo Trabalhador Preso (Funap), que poderiam atuar na descaracterização das peças falsificadas. A Secretaria Social por meio da Fábrica Social também se candidatou.

Pela proposta, as peças de vestuário não poderão ser vendidas. Para evitar que os produtos falsificados doados retornem ao mercado, a entidade cadastrada que descumprir a norma terá a parceria desfeita e o responsável pelo desvio responderá criminalmente.
Em Pernambuco, explica a policial, a iniciativa já é realidade. Desde 2013, a DCPIm da região tem autorização para destruição dos produtos falsificados, após o laudo do Instituto de Criminalística. A unidade, porém, ainda não tem autorização para doação, pois não conseguiu, até o momento, quem descaracterizasse as marcas das peças de vestuário.



