Depois de perder os 4 filhos em acidente, mulher pode ficar sem a casa
Os filhos de Samara Alves morreram em janeiro do ano passado, em um acidente de carro provocado pelo ex-marido, que também morreu. Afundada em dívidas, ela guarda o pouco que restou das crianças no imóvel que pode ir a leilão por dívidas de condomínio e IPTU
atualizado
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A expressão “desgraça pouca é bobagem” é muito mais do que um ditado popular na vida da cabeleireira Samara Alves da Silva, 26 anos. Em janeiro do ano passado, o ex-marido dela provocou um acidente com o carro em que estava com os quatro filhos pequenos do casal. Nem ele e nem as crianças, com idade entre 1 e 5 anos, sobreviveram. No dia seguinte ao enterro das crianças, teve vários pertences levados da casa em que morava. Agora, um ano e meio depois, corre o risco de perder o imóvel, em Vicente Pires, por não conseguir pagar o condomínio e nem o IPTU.
“As pessoas até acham estranho, mas não quero sair daqui. É onde me sinto próxima dos meninos. Vejo os cômodos e lembro deles brincando”, contou Samara ao Metrópoles. O bem tem muito mais valor emocional do que financeiro para a mulher, que teve a vida devastada por uma tragédia.
Naquele sábado de janeiro de 2015, Marcos Aurélio Almeida Santos, então com 42 anos, chamou a ex-mulher – de quem estava separado havia dois meses – e os filhos para um passeio. Após uma breve discussão, Samara disse que não iria. O homem levou as crianças. Minutos depois, numa ultrapassagem na BR-070, perto de Cocalzinho (GO), colocou um ponto final na vida dele e dos filhos ao colidir com um caminhão. A polícia concluiu que o acidente foi proposital.
Marcos Aurélio deixou uma carta para ela, em que dizia que nunca mais veria os filhos. O homem, que não aceitava o fim do relacionamento, escreveu ainda: “Hoje é um grande dia para mim e meus filhos, pois estamos buscando um lugar de paz onde não exista humilhação e covardia”. Ao final, disse que Samara poderia ficar com a casa em Vicente Pires “e retomar a sua vida”.
Retomar a vida, entretanto, não tem sido uma tarefa fácil. Desempregada, vivendo de bicos, a mulher está prestes a perder o imóvel. A casa deve ir a leilão por conta de uma dívida que chega a R$ 77 mil. São R$ 43 mil de condomínio e R$ 34 mil de IPTU atrasados.
Desde a morte trágica dos filhos pequenos, Samara luta para sobreviver. Além de ter tido os pertences furtados e a casa danificada pela pessoa que invadiu o imóvel na hora em que se despedia das crianças, a cabeleireira lembra que arcou sozinha com os custos dos enterros – inclusive o de Marcos Aurélio.
“O dinheiro do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) não foi suficiente. Tive que pagar R$ 15 mil para a parte funerária e ainda mais R$ 14 mil de advogado”, contabiliza.
Na época do acidente, a família de Marcos Aurélio chegou a acusar Samara de proibir o pai de ver os filhos, o que teria causado uma grande depressão, que culminou no suicídio dele e na morte das crianças. Ela chegou a conseguir uma ordem judicial impedindo ele de visitá-los.

Lembranças
Se o coração de Samara é o lugar onde ela guarda as melhores lembranças dos filhos, a casa de três quartos e pouca mobília é o local físico onde distribuiu as fotos de Tainá, Marcos Eduardo, Luciano e João Pedro em porta-retratos espalhados pela sala de estar. A maior parte das roupas e brinquedos foi dada em doação. E, agora, ela conta com a ajuda de alguns amigos para tentar salvá-la.
Quando vi que estava no fundo do poço, precisei tomar uma atitude e pedir socorro.
Samara
A cabeleireira relata que no último ano tem sido alvo de muitas críticas. “Tem gente que diz por aí que eu peguei o dinheiro do DPVAT e gastei. Mas não é verdade! Eu paguei o enterro e fiz despesas para consertar a casa, que estava com problemas”, garante. Ela já tentou um acordo para pagar a dívida do condomínio, mas não teve sucesso. “Querem que eu pague 30% e divida o restante em seis parcelas. Mas não tenho como pagar”.
Serviço:
Quem quiser ajudar pode entrar em contato com Samara pelo número (61) 98517-4202.



