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A hipótese defendida pelos donos do Circo Khronos de que ventos fortes teriam sido a causa do acidente que levou à morte um adolescente de 17 anos, no fim da tarde de segunda-feira (27/3), é negada pela Defesa Civil. Se a estrutura estivesse montada corretamente, seguindo o padrão de segurança, seria capaz de suportar ventos de até 120km/h.

Em duas vistorias técnicas, na semana passada e na segunda pela manhã, a Defesa Civil identificou uma série de falhas na parte elétrica e na montagem da estrutura, composta por torres, colunas e vigas de sustentação. O circo está instalado no estacionamento do Shopping Boulevard, na Asa Norte.

“A lona, mesmo sendo a parte mais frágil, é capaz de suportar ventos muito fortes. Mas, como a estrutura estava fixada de forma incorreta, ela fez um efeito de vela: o vento entrou e a levantou”, explicou o coronel Sérgio Bezerra, coordenador da Defesa Civil.

Segundo a avaliação técnica, o circo só usava dois pinos de fixação no solo por coluna — quando o exigido são seis — e não tinha aterrado nem a estrutura elétrica nem o gerador de energia, que também não estava isolado corretamente. O relatório apontando todos os erros ficará pronto na próxima semana.

Confira o vídeo das câmeras de segurança do shopping enviado à Polícia Civil:

 

O funcionário de limpeza Weyne Bispo da Costa foi atingido pela estrutura de ferro que sustentava a lona. O jovem teve uma parada cardiorrespiratória, chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros por 40 minutos, mas não resistiu aos ferimentos. Outras duas pessoas estavam sob a lona, mas não precisaram ser hospitalizadas.

Devido às falhas identificada pela Defesa Civil, o circo não recebeu alvará de funcionamento. A única liberação foi entregue pelo Corpo de Bombeiros, que verificou a presença de saídas de emergência e extintores, além de sinalização dos equipamentos de segurança.

“Não era para o circo ter funcionado. Nos falamos ontem de manhã, mas eles trouxeram crianças para cá de forma ilegal”, denuncia Bezerra. O espaço recebeu a visita de alunos de uma escola particular. Eles assistiram ao espetáculo Adoletá e as crianças deixaram o espaço uma hora antes de a lona desabar.

Se for comprovada a visita dos estudantes, o circo corre risco de ter o contrato com o shopping rescindido e de responder medidas judiciais.

O outro lado
A versão contada pelo diretor do circo, Luciano Rangel, é diferente. Ele explicou que o local foi escolhido para fazer a temporada abril/maio e toda a documentação estava em dia. “A Defesa Civil pediu apenas duas correções elétricas mínimas que já estavam sendo providenciadas”. De acordo com ele, a estrutura não havia sido condenada.

“Agora, aguardamos os laudos para saber o que ocorreu. O jovem que faleceu estava trabalhando há três dias como diarista em serviços gerais e estamos procurando familiares para prestar todo o apoio necessário”, completou.

Perícia
A 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) investiga o caso. Na manhã desta terça (28), equipes da PCDF iniciaram a perícia na área externa do circo. Os trabalhos só devem ser concluídos na quarta (29) por questão de segurança. A parte da estrutura de ferro que desabou terá que ser erguida por um guindaste para que os peritos possam atuar.

Inicialmente, toda a estrutura de trailers, arquibancada e lona terá que ser desmontada para que o guindaste possa se aproximar.

Confira as imagens após o acidente:

Shopping
Em nota, a administração do Boulevard Shopping esclarece que o espaço foi alugado para a realização de eventos e que exige das produtoras a documentação obrigatória emitida pelos órgãos competentes do governo local.

“Apesar de não estar sob responsabilidade do centro comercial, a administração informa que todas as vítimas do lamentável incidente foram prontamente atendidas pela estrutura de emergência disponibilizada pelo shopping.”