Criminosos usaram jargão de sogro de Elizamar para atrair vítimas à morte

Bilhete foi encontrado em cativeiro onde ficaram ao menos dois membros da família de Eliziane, a primeira a ser encontrada morta

atualizado 24/01/2023 13:01

Reprodução

O bilhete encontrado no cativeiro em que integrantes de uma mesma família foram mantidos reféns, em Planaltina, foi baseado no linguajar de Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos, sogro da cabeleireira Elizamar da Silva, 39, para atrair as vítimas pra morte.

“Chefe, como está o seu dia? Vou precisar de ajuda urgente”, começa a mensagem. “Thiago, tem como você vir à chácara? Vou explicar o que está acontecendo. Se puder, venha hoje com a Eliza [Elizamar] e os meninos”, diz a carta.

Segundo o delegado da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Ricardo Viana, o termo “chefe” era linguajar constante no vocabulário de Marcos e conhecido pelos criminosos.

“O cativeiro era frequentado por todos eles, pelos autuados e também pelo procurado, mas, lá dentro, eles tinham uma liderança. A gente acredita que o bilhete tenha sido escrito ou ordenado pelo Gideon e Horácio”, explica.

“Era a verbalização do Marcos: tinha esse jargão para chamar todos, inclusive os filhos”, completa o delegado.

PCDF não descarta novos envolvidos

Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) não descarta o envolvimento de novas pessoas na chacina contra 10 membros de uma mesma família do DF.

O delegado Ricardo Viana, chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), responsável pelo caso, usou a analogia de uma “casa escura” para definir os próximos passos da investigação.

“A polícia abre um cômodo, acende a luz, tem que afastar vários móveis para chegar no próximo. Não descarto nada do que pode vir”, disse.

Por enquanto, três homens estão presos por participação na chacina e na última semana descobriu-se a atuação de outro homem, Carlomam dos Santos Nogueira, 26 anos, que deixou digitais no cativeiro e é considerado foragido.

Quarto suspeito pode estar fora do DF

Investigadores da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) trabalham com a possibilidade de que Carlomam dos Santos Nogueira, 26 anos, considerado o quarto suspeito de participar da chacina que envolve o desaparecimento de 10 pessoas de uma mesma família, esteja fora do DF.

Provavelmente, há notícias de que ele se encontra fora do Distrito Federal”, informou o delegado Ricardo Viana.

Até o momento, três homens estão presos por participação na chacina. Durante as apurações, a PCDF localizou impressões digitais de Carlomam no cativeiro e no carro de uma das vítimas.

Mais três corpos

rastro que leva até onde os três corpos, possivelmente, das últimas vítimas da chacina familiar no DF, localizados na madrugada desta terça-feira (24/1), revela a crueldade do esquema montado pelos criminosos. O ponto de desova fica na cisterna de uma chácara no Núcleo Rural Santos Dumont, em Planaltina.

O buraco, de aproximadamente 2 metros, está localizado a poucos centímetros de uma casa abandonada do terreno. No mato, é possível observar vestígios dos restos mortais e sangue das vítimas, assim como dentro da cisterna.

No mesmo modus operandi do cativeiro, onde encontraram o cadáver de Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54, os três corpos desta terça estavam cercados por cal para abafar o odor da decomposição e despistar os rastros do crime.

Os corpos são de uma mulher, uma adolescente e um homem. Por isso, a PCDF suspeita que sejam das três vítimas da chacina que estão desaparecidas – Cláudia Regina Marques de Oliveira, Ana Beatriz Marques de Oliveira e Thiago Gabriel Belchior.

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