Crianças estavam sozinhas em casa durante incêndio, diz PCDF

Uma menina de 2 anos morreu. Segundo delegado, mãe conversou com policiais no Hospital Regional de Taguatinga e deu detalhes

atualizado 24/02/2020 21:13

Michael Melo/Metrópoles/Foto Ilustrativa

As investigações sobre o incêndio em uma casa no Conjunto 17 da QR 425 de Samambaia, por volta das 20h desse domingo (23/02/2020), estão sob os cuidados da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte). Uma menina de 2 anos acabou morrendo. Ao Metrópoles, o delegado-chefe da unidade, Cícero Jairo de Vasconcelos Monteiro, disse que informações preliminares apontam que as três crianças estavam sozinhas quando as chamas começaram.

De acordo com o investigador, policiais do plantão no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) conversaram com a mãe dos pequenos, Romária Pereira da Silva, 31. A mulher confirmou que ela e o companheiro, Daniel Pereira Lopes, 35, que é pai de um dos menores e padrasto dos outros dois, tinham ido à padaria quando o fogo atingiu o imóvel.

“A informação fornecida pela própria mãe é de que eles teriam saído e voltaram cerca de 15 minutos depois. Ao retornarem, a casa já estava em chamas, e o pai entrou para salvar os filhos”, comentou Monteiro.

Não se sabe, por enquanto, a causa do incêndio. “Nós não temos conhecimento. A perícia leva um certo tempo para apresentar um laudo e ainda não dá para dizer o que ocorreu.” Vizinhos e demais testemunhas serão inqueridos.

Ainda segundo o chefe da 26ª DP, pode ser apurado se houve negligência dos pais. “Como existiu uma morte, classificamos a ocorrência como homicídio culposo. A qualificação permanece se for confirmado que foi um acidente. Se comprovar alguma negligência dos pais, no entanto, pela própria condição do pai queimado e pelo ato de ele ter salvado os filhos, muito provavelmente não haverá punição. Também pela perda da criança”, completou.

Vizinhos confirmam que Romária e Daniel não estavam casa. Uma moradora do local disse ter visto Daniel pular o muro para conseguir salvar as crianças.

O caso

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) e do Instituto de Criminalística, da Polícia Civil (PCDF), já fizeram as perícias, porém, os resultados podem demorar até 30 dias para ficarem prontos. A residência teve quatro cômodos totalmente consumidos pelas chamas: sala, cozinha e dois quartos.

De acordo com a equipe de resgate, cinco pessoas receberam atendimento. Daniel teve 95% do corpo queimado, enquanto a filha dele, uma bebê de 6 meses, sofreu queimadura de 2° grau no rosto e no braço. O fogo atingiu 70% do corpo de outra criança de 4 anos.

Uma menina, identificada como Kyara Pereira, de 2 anos, morreu no local. A mãe das crianças, Romária, estava em estado de choque e foi encaminhada ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT), mas já saiu da unidade de saúde.

Daniel está na UTI do Hospital Regional da Asa Norte com 95% do corpo queimado e se encontra inconsciente.

“Ele foi levado ao Hran e o estado é gravíssimo. Segundo os médicos, está com 95% do corpo queimado e inconsciente na UTI. A equipe do hospital não nos deu esperança de vida. Estamos muito abalados”, informou a comerciante Arlete Pereira Alves, 60, tia de Daniel.

Ao Metrópoles, Arlete disse que ainda não teve contato com a mãe das crianças nem com os outros pequenos que também ficaram queimados. “Só soubemos que o menino de 4 anos também está bastante ferido, mas eles e a mãe estão bem”, pontuou.

A Defesa Civil esteve na manhã desta segunda-feira (24/02/2020) no imóvel. Entretanto, como o local estava fechado, os integrantes da força de segurança não conseguiram entrar para ver como estão as condições da residência.

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