Correios se manifesta sobre morte de carteiro por técnicos em hospital
Marcos Moreira morreu aos 33 anos depois de técnicos de enfermagem aplicarem substância letal em UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga
atualizado
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Os Correios se manifestaram sobre a morte do carteiro Marcos Moreira (foto em destaque), de 33 anos, vítima de três técnicos de enfermagem acusados de aplicarem substância letal em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF).
Marcos Moreira era morador de Brazlândia (DF) e servidor dos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos.
Os Correios disseram lamentar profundamente os fatos graves ocorridos em dezembro de 2025, atualmente sob apuração da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e que envolveram diretamente um empregado da empresa pública federal.
“Em respeito à família e às investigações, conduzidas sob sigilo, a empresa não fornecerá detalhes adicionais sobre o caso. Reiteramos nosso reconhecimento ao empregado, que sempre demonstrou conduta profissional exemplar ao longo de sua trajetória, e manifestamos nossa solidariedade à família neste momento de profundo pesar”, reiteraram os Correios em nota.
Os Correios alegaram que as providências relacionadas aos protocolos de atendimento do hospital envolvido estão sendo avaliadas pela operadora do plano de saúde dos empregados dos Correios.
O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno (Sindect-DF) também lamentou a morte do carteiro, ocorrida no início de dezembro.
“É com pesar que o Sintect-DF comunica o falecimento do carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, trabalhador dos Correios lotado no CDD Brazlândia. Nossa solidariedade vai para os familiares, amigos e colegas de trabalho neste momento de despedida e dor. Descanse em paz, Marcos”, disse o sindicato em nota.
O servidor dos Correios deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu no dia 1º de dezembro de 2025. O velório aconteceu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Morte recebida com surpresa
Em entrevista ao Metrópoles, a esposa de Marcos afirmou que a notícia da morte do marido foi recebida com muita surpresa.
“Ele chegou consciente e conversando normalmente com a equipe médica. Foi um choque”, disse a mulher.
Outra vítima é João Clemente Pereira. Ele tinha 63 anos e era servidor da Caesb. Segundo a família, o paciente reclamava de dores de cabeça. No hospital, foi constatado que ele estava com um coágulo na parte superior do crânio.
A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva (à direita na foto), de 75 anos. Segundo a investigação policial, o técnico preso injetou desinfetante na mulher.
Entenda o caso
- A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com o apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
- As investigações tiveram um novo avanço na última quinta-feira (15), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
- Nesta etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
A Polícia Civil do Distrito Federal agora investiga pelo menos 20 outros atestados de óbito em hospitais do Distrito Federal.
Confira a nota do hospital na íntegra:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça.”






