Comissão de Direitos Humanos flagra comida podre e insalubridade na Papuda
A fiscalização localizou diversas irregularidades como comida podre, falta de atendimento médico e superlotação nas celas
atualizado
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A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CDH-CLDF) realizou, na manhã desta sexta-feira (22/5), uma fiscalização no Complexo Penitenciário da Papuda, onde foram flagradas diversas irregularidades, como comida podre, falta de atendimento médico e superlotação nas celas.
De acordo com o relatório elaborado pela comissão, a vistoria foi feita após várias denúncias registradas pelos detentos. Alguns chegam a dizer que a comida servida é “intragável”. “A alimentação parece lavagem. Já chega estragada, fedendo a podre e não podemos nem reclamar que sofremos retaliação”, disse um dos presos.
“A alimentação servida aos presos é um problema grave. Foram relatadas várias situações em que a comida já é servida com cheiro podre”, conta a coordenadora da CDH, Keka Bagno.
Durante a visita, os especialistas puderam notar, também, a superlotação das celas, onde 25 detentos compartilham um espaço projetado para acomodar 8 pessoas. Além disso, de acordo com dados do próprio Complexo, 3.150 presos vivem em um local onde a acomodação é de, no máximo, 1.500. “Foram vistos presos dormindo no chão ou em redes improvisadas”.
A falta de atendimento médico adequado também é uma situação que se torna cada vez mais desastrosa para as pessoas que cumprem ali suas penas. As áreas de odontologia e psiquiatria têm feito falta para os detentos. Alguns afirmam que estão com feridas doloridas na boca e ainda não receberam atendimento. “Estou com a boca cortada e infeccionada por causa de um dente quebrado, implorando por atendimento há meses e não consigo. Não consigo me alimentar e sinto uma dor terrível”, disse outro detento.
“Celas cada vez mais lotadas, pessoas aguardando cirurgia e falta de atendimento psiquiátrico para casos graves foram os principais problemas encontrados por nós hoje. Vamos produzir um relatório e encaminhar aos órgãos de justiça e do GDF para providências”, destaca Fábio Felix, presidente da CDH.
De acordo com a CDH, mais de mil pessoas presas na Papuda necessitam de atendimento odontológico, com base nos dados da penitenciária, e que apenas dois médicos, um psiquiatra e um psicólogo atuam no local, atendendo uma demanda de 3 mil detentos.
Além das irregularidades identificadas, também foi flagrado durante a visita que muitos presos são alvos de retaliações e castigos, principalmente quando reclamam da falta de condições básicas de direitos humanos, como banho de sol e visitas. “Quando reclamamos da comida, a resposta que temos é jato de spray na cara”.
“Presos relataram que ao fazer qualquer reclamação sobre a qualidade da alimentação ou outros direitos, são agredidos com gás de pimenta, submetidos ao isolamento e a outras punições”, diz a CDH.
O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape), que informou que enviará manifestação na próxima segunda-feira (25/5). Quando o parecer for emitido, esta reportagem será atualizada.