Haitianos e bolivianos dominam o mercado de rua da Rodoviária do Plano Piloto. Veja vídeo

Estrangeiros já são personagens conhecidos dos brasilienses que frequentam o local. Eles vendem centenas de produtos falsificados, como roupas e relógios, e são ligeiros ao fugir das autoridades na hora do rapa

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metropoles.com

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Fotos: Michael Melo/Metrópoles
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Eles se destacam dos brasileiros pelas roupas que vestem, pelo sotaque carregado e, principalmente, pelos mecanismos que desenvolveram para escapar da fiscalização. Haitianos e bolivianos passaram a dominar o mercado de rua na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto.  Entre as 9h e as 21h, os estrangeiros passam o dia vendendo produtos piratas, correm das autoridades e interagem com parte das 250 mil pessoas que circulam diariamente pelo local. A região ganhou ares de “zona franca”, onde todo tipo de falsificação pode ser conseguida, basta pagar.

Atualmente, os “gringos”, como são chamados pelos outros camelôs, transformaram o cenário do terminal rodoviário mais movimentado do Distrito Federal e contribuíram para o crescimento da variedade de produtos à venda de forma irregular. Durante três dias, a reportagem do Metrópoles acompanhou a rotina de haitianos e bolivianos na corrida dos gringos para vender o maior número de mercadorias sem serem flagrados pela Agência de Fiscalização do DF (Agefis).

Um grupo formado por oito jovens haitianos — que aparentavam ter entre 20 e 30 anos — chama atenção de longe. Usando grandes relógios dourados, camisas polo ou de linho e calças jeans, se posicionam sempre no mesmo local, próximo à escada que dá acesso à plataforma inferior da rodoviária. Os haitianos ficam perto uns dos outros, carregam mochilas nas costas e maletas “007” cromadas nas mãos. Dentro delas, uma coleção de pelo menos 20 relógios. São réplicas das marcas Invicta, Náutica e até da suíça Tissot.

Imitações
Enquanto o preço dos originais varia de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil, os relógios piratas são vendidos pelos haitianos de R$ 150 a R$ 300. Dois jovens são os responsáveis por portar as maletas. Um deles é conhecido no local por sempre estar de boné e usar a calça bem abaixo da cintura. O segundo usa o corte de cabelo diferenciado da maioria, no estilo “tererê”.

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Além dos relógios, o grupo comercializa óculos falsificados, pulseiras, cordões prateados e capas para aparelho celular. Os produtos ficam expostos sobre lençóis e são recolhidos em questão de segundos, quando o tecido se transforma em um “saco”. É a forma ideal para carregar a mercadoria ao fugir da fiscalização.

Magros e ágeis, os haitianos não perdem uma corrida na hora do chamado “rapa” (veja vídeo abaixo), momento em que os fiscais da Agefis e policiais militares tentam apreender a mercadoria falsificada. Em um período de duas horas, os haitianos foram alvo da fiscalização em pelo menos quatro oportunidades. Em todas as vezes, conseguiram correr descendo a escadaria da rodoviária ou se escondendo entre os veículos parados no estacionamento da plataforma superior.

“Eles ganham pela insistência e não se cansam de correr. Chega um momento em que os fiscais se cansam de correr atrás deles”, comentou um taxista que trabalha em um ponto próximo do grupo e acompanha a movimentação dos estrangeiros todos os dias.

Parceria
Na hora de inventar mecanismos para protegerem suas mercadorias, os haitianos contam com a parceria dos bolivianos. Um grupo de pelo menos 10 andinos ganham a vida comercializando peças de vestuários. São bolsas franjadas de camurça, blusas e calças de tecido, além de vestuário pirata para ginástica, das marcas Adidas e Nike.

Os bolivianos mantêm um carro estacionado próximo ao local onde vendem as peças. Quando os fiscais se aproximam, todos correm em disparada e escondem a mercadoria dentro do veículo.

Os haitianos dividem o espaço no porta-malas e nos assentos  do carro para manter os produtos intocados até que a fiscalização passe. A reportagem flagrou como o grupo de estrangeiros atua. Maletas com relógios falsificados são escondidas, também, debaixo dos carros estacionados. Quando o ambiente está seguro, ou seja, sem policiais e fiscais por perto, um dos haitianos retira os objetos debaixo dos veículos.

Os mesmos carros usados como ponto de apoio para os estrangeiros os levam para casa quando anoitece e o movimento na rodoviária diminui. O gol vermelho é dirigido por um boliviano. Eles deixam o Plano Piloto e seguem viagem pela Via Estrutural. Quando chega em Taguatinga, o automóvel segue pela Avenida Hélio Prates até chegar em Ceilândia Norte, onde os estrangeiros moram. Cartazes fixados na fachada da residência avisam que o local também vende pizzas e salgados.

Terremoto e visto humanitário
Levantamento feito pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), ligado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social, aponta que, até o ano passado, 2.266 estrangeiros moravam no DF e possuíam emprego formal com carteira assinada. Nos registros da pasta, há apenas 66 haitianos formalizados no mercado de trabalho. No entanto, sabe-se que comunidade é bem maior.

Ao contrário de imigrantes de outros países que estão em guerra e ganham status de refugiados no Brasil, os haitianos desembarcam em nosso país com o chamado “visto humanitário”. A concessão é uma espécie de medida complementar de proteção, uma vez que a legislação brasileira e as convenções internacionais não reconhecem o refúgio relacionado a desastres naturais ou fatores climático, com foi o caso do terremoto que destruiu, em 2010, a cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti. Desde então, o fluxo de pessoas do país caribenho e direção ao Brasil aumentou consideravelmente.

Segundo o presidente do CNIg, Paulo Sérgio de Almeida, a medida desestimula o ingresso sem visto pela fronteira terrestre, pelos estados do Acre e do Amazonas.

Em relação aos haitianos, sabemos que os principais ramos de trabalho escolhidos por eles no Brasil envolvem abatedouros de aves e frigoríficos. Também podemos dizer que, em todo o país, eles já superaram os portugueses como a nacionalidade que mais ocupa cargos formais de trabalho

Paulo Sérgio de Almeida, presidente do Conselho Nacional de Imigração

O Metrópoles procurou o Ministério da Justiça, responsável pela emissão dos vistos humanitários, para saber se a prática de crimes ou até contravenções — como é o caso da venda de produtos piratas — renderiam a suspensão do visto e a deportação dos haitianos. Por meio de nota, a pasta afirmou que, “como qualquer cidadão brasileiro, imigrantes podem ser responsabilizados por seus atos. Os órgãos de segurança podem investigar indícios e, em caso de condenação, o Registro Nacional de Estrangeiro (RNE) pode ser cancelado”. 

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