Colega de trabalho de gamer induzida ao suicídio: “Vi o sofrimento da mãe e fiquei arrasada”

Para amigos de trabalho, bolos eram uma tentativa de aproximação da estudante, que também sofria de depressão

atualizado

metropoles.com

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Com lágrimas nos olhos, colegas de trabalho lembram da estudante, estagiária e gamer de 21 anos. Morta em 3 de fevereiro, a moradora do Paranoá trabalhava em um órgão público no Itapoã. A moça frequentemente leva um bolo caseiro para dividir na repartição.

“A mãe dela sempre me mandava um bolo para mim. Ela trazia muito bolo de chocolate. Eu achava lindo. Era uma pessoa tímida. E quando ela tentava se abrir com o potinho de bolo, era uma mensagem: eu estou tentando me aproximar”, recordou uma colega de trabalho.

“Ela era uma menina muito prestativa, muito atenciosa, bem caprichosa. Ela era muito criativa”, contou. A estudante sempre foi recolhida, tímida. Mas em uma festa recente, a jovem sorriu e se abriu para os colegas de trabalho. No dia da morte da jovem, o clima na repartição foi desesperador.

“Ela trabalhava na minha sala. Até hoje não consegui colocar ninguém lá para trabalhar comigo no lugar dela”, desabafou a supervisora. “Quando eu vi o sofrimento da mãe dela fiquei arrasada. E no último momento ela se arrependeu do que ela fez”, desabafou.

Dia ruim

Os colegas estavam atentos ao problema de autoestima da jovem. E muitos buscavam ajudar a estagiária, até mesmo com um “bom dia”. “Infelizmente pegaram a menina em dia ruim”, lamentou um amigo de trabalho da vítima.

No dia da tragédia, colegas de trabalho apoiaram a família. Alguns inclusive encorajaram a família a disponibilizar os celulares e o computador para a investigação. As informações foram determinantes para a 6ª Delegacia de Policia (Paranoá) investigar o caso. Na quarta-feira (29/9), policiais prenderam os bandidos em uma megaoperação.

A estudante sofria de depressão profunda e estava em tratamento psicológico e psiquiátrico.

Busque ajuda

O Metrópoles tem a política de publicar informações sobre casos de suicídio ou tentativas que ocorrem em locais públicos ou causam mobilização social. Isso porque é um tema debatido com muito cuidado pelas pessoas em geral. O silêncio, porém, camufla outro problema: a falta de conhecimento sobre o que, de fato, leva essas pessoas a se matarem.

Depressão, esquizofrenia e o uso de drogas ilícitas são os principais males identificados pelos médicos em um potencial suicida. Problemas que poderiam ser tratados e evitados em 90% dos casos, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode te ajudar. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e Skype 24 horas todos os dias.

 

Arte/Metrópoles

 

Disque 188

A cada mês, em média, mil pessoas procuram ajuda no Centro de Valorização da Vida (CVV). São 33 casos por dia, ou mais de um por hora. Se não for tratada, a depressão pode levar a atitudes extremas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dia, 32 pessoas cometem suicídio no Brasil. Hoje, o CVV é um dos poucos serviços em Brasília em que se pode encontrar ajuda de graça. Cerca de 50 voluntários atendem 24 horas por dia a quem precisa.

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