Clientes relatam golpes de decoradora em festas infantis no DF

Profissional tem um longo histórico de denúncias registradas na Polícia e chegou a ser condenada por não entregar os serviços contratados

atualizado

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A prestadora de serviços Vitória Mendes Lopes, de 29 anos, é acusada de aplicar diversos golpes em famílias que contrataram decoração de festas infantis no Distrito Federal.  A mulher tem um longo histórico de denúncias registradas na Polícia contra ela e chegou a ser condenada três vezes por dívidas, alguma delas por não fazer a entrega dos serviços contratados.

Segundo denúncias de clientes e o histórico de decisões na Justiça do Distrito Federal, o modus operandi da decoradora consiste em fazer negociações para prestar serviços em festas, mas no dia do evento ela acaba não cumpre o que foi acordado previamente.

No último sábado (5/4), uma de suas clientes foi obrigada a fazer uma vaquinha para comprar doces para a festa da filha após a prestadora de serviços não cumprir com o combinado. Além disso, a decoração da festa foi entregue incompleta, mesmo após ter sido feito o pagamento antecipado dos serviços. Ao todo, a cliente realizou três transferências para a decoradora, somando R$ 940.

Segundo a vítima do golpe, que preferiu não se identificar, a prestadora apresentou diversas justificativas, como atrasos e problemas com terceiros, mas não solucionou a situação. Após o evento, a contratada teria prometido devolver o valor pago via Pix, o que não ocorreu.

“Ela fez milhões de promessas. Disse que estava a caminho, mas não podia ir de Uber entregas. Aí depois disse que ia devolver o Pix, mas não devolveu. Já faz dias e ela não vai devolver nunca”, disse.

A cliente registrou ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no último sábado (5/4) após alegar ter sido vítima de prejuízo e constrangimento ao contratar um serviço de decoração para festa infantil que não foi cumprido conforme o combinado.

Diante da ausência dos itens contratados previamente, a família precisou improvisar para garantir a continuidade da festa. A arrecadação de dinheiro entre os convidados para a compra emergencial de doces gerou constrangimento e indignação entre os envolvidos.

Além disso, Vitória não compareceu no horário combinado para retirar os materiais da decoração, obrigando a cliente a desmontar toda a estrutura com ajuda dos próprios convidados.

Mensagens ofensivas

A situação se agravou quando, segundo a denunciante, a prestadora passou a enviar mensagens ofensivas chamando a denunciante de “desocupada” e recusando-se a resolver o problema.

A vítima afirma ainda que, ao relatar o caso em um grupo, encontrou outras pessoas que alegaram ter passado por situações semelhantes envolvendo a mesma prestadora, o que pode indicar um padrão de comportamento usual para enganar e prejudicar os clientes.

O caso foi registrado como possível crime contra o consumidor e ameaça e está sendo apurado pela 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). A cliente informou que possui provas, como comprovantes de pagamento, contrato, conversas e registros fotográficos que comprovam a denúncia.

Vítimas frequentes

Ao manifestar sua indignação com o caso em um grupo de festas no Facebook, outras vítimas da decoradora se manifestaram. “Ela fica abrindo e fechando empresas. Faz isso há anos, só muda o nome e a empresa”, comentou uma mulher na publicação.

O perfil de uma empresa que presta serviços também informou que Vitória já é bem conhecida no mercado de festas pelos golpes. “Ela já me contratou para decorar festa e demorou mais de um mês para fazer Pix. Sempre é uma desculpa diferente, sendo que ela recebe da cliente e não paga os fornecedores”.

De acordo com outra profissional do ramo, Vitória teria dado outro golpe na mesma semana. “Essa semana mesmo teve outro relato semelhante. É bem conhecida no ramo de festas”, relatou.

Condenações por dívidas

Na esfera cível, Vitória chegou a ser condenada em pelo menos três ocasiões por diferentes dívidas. Em um caso mais recente, ela foi sentenciada a pagar R$ 3 mil após não pagar um empréstimo que fez junto à uma pessoa conhecida. De acordo com a autora da ação, foram emprestados R$ 2 mil no Pix e R$ 1 mil em compras. A cliente entrou com ação após a tentativa frustrada de não conseguir um acordo amigável.

Outra condenação da decoradora também envolve a prestação de serviços em festas. Nesse outro caso, Vitória foi contratada para fornecer crepes, mas não chegou a realizar a entrega dos produtos previsto na negociação. O caso ocorreu em 2023 e foi encerrado após a Justiça penhorar R$ 2,1 mil do valor do contrato.

Em mais um caso, em dezembro de 2024, Vitória foi condenada a pagar R$ 627,61. O caso foi arquivado após a prestadora pagar a dívida .

Em outra briga judicial,  uma cliente pediu indenização de R$ 5 mil após não receber o serviço contratado pele prestadora.

A prestadora de serviços também enfrenta denúncia no Ministério Público do DF (MPDFT) por ameaça, mas o processo está em sigilo de Justiça.

A empresa ligada à decoradora está registrada com o nome de “52.563.135 Vitoria Mendes Lopes” e tem atividades previstas como comércio varejista e sede no Setor Leste, do Gama (DF).

O outro lado

Vitória Mendes Lopes retornou ao contato da reportagem dizendo que já não trabalha com festas infantis há três anos e que teria tido apenas um problema pontual no último final de semana.”Esse caso, em específico, a cliente teve a festa dela completamente entregue. Faltaram alguns doces e ela pediu ressarcimento, o que foi feito”.

De acordo com a prestadora de serviços, foi feito o estorno de R$ 270 referente aos doces. Ela acusa a contratante de ter furtado as peças. “Ela furtou as peças decorativas do evento, levando para casa e só devolveu quando fiz boletim de ocorrência contra ela”, contou.

Vitória confirmou que tem problemas na Justiça e disse não se tratar de prestação de serviços e sim de fatos pessoais da vida dela.

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