Clarinetista brasiliense de 13 anos representará o DF em competição em SP.
Jovem se apresenta em cafés para custear a viagem de novembro; músico já foi solista da Orquestra do Teatro Nacional e premiado no Peru

O talento do clarinetista Pedro Roland Spur (imagem em destaque), de apenas 13 anos, levará o adolescente a representar o Distrito Federal no I Concurso para Jovens Clarinetistas de São Paulo, promovido pela Companhia do Clarinete e pela Royal Global, em 20 de novembro.
O músico brasiliense, que iniciou a carreira aos 7 anos, já acumula participações em encontros de musicistas e até como solista da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, além de ter conquistado uma premiação em Lima, no Peru.
Veja alguns momentos de Pedro:
Foi o professor Ricardo Dourado Freire, da escola em que Pedro começou a tocar a clarinete em Si bemol (Bb), que sugeriu que o jovem se inscrevesse na oportunidade.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF“Como sou o único brasiliense inscrito, fico muito feliz de ter a oportunidade de representar os clarinetistas de Brasília, mas isso também é uma responsabilidade. Gostaria de mostrar o que temos de melhor”, afirma.
A participação se dá após o menino obter a terceira colocação no Concurso Infantil de Clarinetistas do Clariperu, em Lima (Peru), concorrendo com jovens de até 15 anos.
“Quando eu fui para o Peru tive que tocar na frente de um jurado formado por clarinetistas importantes em esquema igual ao que ocorrerá em São Paulo. Então, já ter estado nesse tipo de ambiente vai me deixar menos nervoso para apresentar as peças”, explicou.
Apesar da experiência, ele diz que “se inscrever é apenas uma parte. “Para eu chegar lá tenho que estudar muito as obras”.
Competição
Na primeira fase da competição, Pedro interpretará o primeiro movimento Quebrantos da obra Clarividências, de Dimas Sedícias. Segundo o jovem, a peça exige intensidade e precisão nos ataques de notas, passando pelos três registros do clarinete até uma nota superaguda.
Para a fase final, a peça selecionada é o primeiro movimento Lembranças de Mignone de Meloritimias Nº 8, composta por Ernani Aguiar.
“Na peça de Aguiar, o tema principal é mostrado em um trecho com notas suaves bem ligadas no primeiro registro do clarinete, no meio da peça o mesmo tema retorna, mas dessa vez com notas superagudas e que devem ser tocadas com a mesma leveza. Não é fácil”, explicou Pedro.
Trajetória musical
A jornada musical de Pedro começou em 2020, aos 7 anos, com o dood — instrumento com palheta simples voltado à iniciação infantil. Após um ano, migrou para o clarineo, onde fixou o aprendizado de digitação.
Em seguida, passou pelo clarinete em Dó até chegar, aos 10 anos, ao clarinete em Si bemol, modelo que utiliza atualmente. “Eu fiquei muito entusiasmado quando comecei com o clarinete em Dó, quando passei para o clarinete em Si bemol foi fácil me adaptar porque a diferença foi só de afinação, eu fui logo me acostumando. Diria que achei muito divertido isso.”
Aos 11 anos, Pedro atuou como solista da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro e apresentou-se acompanhado por um quarteto de cordas formado por integrantes do grupo.
“Tocar na frente de uma orquestra sinfônica completa foi a coisa mais grandiosa e emocionante que vivi. Era um palco enorme e uma plateia enorme na minha frente. Fiquei diante da plateia e sabendo que a minha volta só havia músicos profissionais. Apesar de todo o nervosismo, quando comecei a tocar, me concentrei e consegui fazer tudo certinho, lembro que saí com o coração palpitando”, contou.
O histórico do jovem inclui participações em eventos expressivos da área, como o XIV Encontro Brasileiro de Clarinetistas (Brasília, 2024), o IV Encontro Internacional de Clarinetistas de Belém (2024) e o XV Encontro Brasileiro de Clarinetistas (Natal, 2025).
O músico realizou ainda dois recitais solo: em 2023, no Auditório da Escola de Música MiFá-Sol-Lá, e em 2025, no Auditório do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB).
“Toda a experiência de palco — em recitais, numa roda de choro ou numa orquestra — sempre ajuda porque são momentos em que eu tenho que ficar concentrado na música e é isso o que também acontece ao me apresentar na frente de um jurado em um concurso.”
Pedro destaca as experiências em outros lugares: “A gente conhece e interage com outros músicos, com outras culturas, a comida de cada lugar e eu gosto muito disso”. Ele gostaria de continuar visitando outros lugares do Brasil e do mundo acompanhado do clarinete.
Aos interessados em iniciar no instrumento, o brasiliense deixa um conselho: “Para os iniciantes, a primeira coisa é saber se o clarinete é o que eles realmente querem. Para mim foi assim quando eu tive o primeiro contato com o instrumento; eu senti que era isso que eu queria tocar.”
“Como é um instrumento difícil, você viverá momentos muito frustrantes, momentos que sentirá raiva. Mas, nem por isso, devem desistir, se dediquem, vale a pena. É importante a gente poder realizar nossos sonhos”, recomendou.
Recitais itinerantes
Para se preparar, além das aulas, Pedro circula acompanhado dos familiares café da cidade, onde mantém contato direto com os ouvintes em recitais informais.
“Uma coisa muito boa que acontece é que tenho a possibilidade de conversar com as pessoas. Essas conversas sobre música ou outras curiosidades são muito gostosas”, diz o instrumentista, entusiasmado com o desafio em São Paulo.
As apresentações itinerantes em cafés da capital servem também para custear as despesas de deslocamento e hospedagem para o concurso em São Paulo.
Contribuições de qualquer valor podem ser enviadas por meio da chave Pix: pedrotocaclarinete@gmail.com, no nome do pai de Pedro, o Nicolas Spur.







