Chiquinha do DF é ofendida ao usar casaco vermelho: "Faz o L e não compre".
Mesmo sem declarar apoio a qualquer candidato, a Chiquinha do DF passou a ser ofendida simplesmente por sua fantasia ter um casaco vermelho

Taires Santos, que ficou conhecida no Distrito Federal por vender doces vestida de Chiquinha, icônica personagem do seriado mexicano Chaves, fio vítima de assédio eleitoral, xingamentos e ofensas nas redes sociais.
Mesmo sem ter feito qualquer manifestação política, ela e outra colega, que também ganha a vida vendendo guloseimas, foram atacadas por simplesmente usarem as fantasias que têm tonalidades vermelhas. No caso de Chiquinha, o vestido é verde com um casaquinho vermelho.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Chiquinha denunciou as mensagens e criticou os pedidos para que as pessoas deixem de comprar os produtos das duas trabalhadoras por uma suposição sem qualquer fundamento.
Um deles chegou a escrever: “Faz o L e não compre”. Um outro sugeriu, em tom irônico, que ela fosse “vender para a Janja”. Já um outro, sem qualquer prova, disparou: “Cara de petista da porra”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA empreendedora afirma que os ataques começaram no domingo (25/10), após o resultado das eleições que deram a vitória ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Estamos sendo atacados, eu e [outra empreendedora], simplesmente por ela usar vermelho e eu usar o casaco vermelho da Chiquinha. Estão tentando nos boicotar”, disse.
No vídeo, Chiquinha afirma que a cor vermelha faz parte da caracterização da personagem e também é utilizada por comerciantes de diferentes segmentos para chamar a atenção dos clientes.
“Quem assistiu ao seriado sabe que isso daqui não é nada de partido político, gente. Isso daqui faz parte do seriado, do personagem da Chiquinha”, afirmou, mostrando a roupa.
A empreendedora afirma que outras pessoas também passaram a atacar as duas mulheres. Ela diz que uma integrante de um grupo de mulheres enviou mensagens à ambulante e que a situação envolve pessoas de um mesmo grupo. Após a divulgação do caso, no entanto, mais ofensas surgiram.
Mãe de duas crianças, uma de 4 anos e outra de 12, segundo o vídeo, Chiquinha questionou o impacto que campanhas de boicote podem ter sobre pessoas que dependem das vendas diárias para pagar as despesas.
“Os meus filhos dependem dessa cestinha aqui, do alimento deles. Agora vocês querem me difamar, me boicotar por causa do casaco da Chiquinha?”, indagou.
A empreendedora também pediu que o público não normalize ameaças contra pessoas que estão tentando garantir o próprio sustento, e afirmou que pretende denunciar o caso à autoridades caso os ataques continuem
Denúncias
O episódio ocorre em meio a uma alta em denúncias de retaliação motivada por supostas preferências políticas após o segundo turno das eleições.
Na terça-feira (27/10), o Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que investigava denúncias relacionadas ao incentivo à demissão de trabalhadores por suas escolhas políticas e alertou que o encerramento da votação não impede a apuração de práticas discriminatórias.








