Celina Leão inaugura 1º centro de referência para autistas do DF

Durante o cerimônia, o governo também anunciou o Serviço de Assistência em Saúde Mental através de Inteligência Artificial (SAMia)

atualizado

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1 de 1 Celina - Metrópoles - Foto: Francisco Dutra / Metrópoles

Para acolher as famílias atípicas com tratamento, emissão de laudos e atendimento específico, a vice-governadora do Distrito Federal (DF) Celina Leão (PP) inaugurou o primeiro Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea) do DF, na estação do Metrô da 108 Sul, em Brasília (DF), na manhã de terça-feira (9/12).

Durante o evento, a vice-governadora lançou o novo Serviço de Assistência em Saúde Mental através de Inteligência Artificial (SAMia). Celina também anunciou a criação de um centro de pesquisa sobre TEA na Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs).

A vice-governadora declarou que a defesa e o acolhimento das famílias atípicas é uma de suas principais bandeiras. “Eu quero falar que nós somos uma família atípica. Minha mãe teve dois filhos raros. Uma não está entre nós mais”, revelou. O governo planeja construir mais dois Creteas, um no Norte e outro Sul do DF.

Segundo Celina, outro projeto em desenvolvimento é um centro de referência na Secretaria de Educação, para o serviços voltados para a rede pública de ensino. De acordo com a vice-governadora, o GDF já estuda o reforço do quadro de pessoal do Cretea da 108 Sul para ampliar os horários de atendimento. Inicialmente, o Cretea vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.

Muitas famílias enfrentam dificuldade para ter acesso aos laudos com diagnóstico dos filhos. No entanto, pacientes só podem ser laudados em locais com atendimento especializado. E sem o documento, as crianças não têm acesso a diversos serviços e direitos.

“O laudo para quem tem o espectro autista na família é uma resposta. É uma forma de cuidado. É um alento. Ele te dá um diagnóstico (…) Quando você foi laudado tem um condição de cuidado diferente. Então isso para as famílias é uma resposta. Com certeza, é dignidade (…) Para a mãe o mais importante é o laudo e o cuidado”, afirmou Celina.

Como funciona o Cretea

Segundo a gerente do Cretea da 108 Sul, Viviane Felipe, a unidade receberá crianças de 0 a 10 anos com diagnóstico ou hipótese diagnóstica. “A gente vai ter toda parte de acompanhamento médico, psiquiatras, pediatras, neuropediatras e parte de reabilitação”, contou. O centro terá atendimento com fonoaudiólogo e fisioterapeuta.

“Vamos trabalhar também com orientação parental, muito para a apropriação dessa família, para que os estímulos sejam continuados em casa”, explicou. O Cretea não tem porta aberta. Em primeiro lugar, a família deve procurar uma unidade básica de saúde (UBS) para avaliação e pedido de encaminhamento.

“Se é uma criança com suspeita de autismo. A gente tem toda uma equipe para fazer o processo de avaliação e a equipe médica. O psiquiatra e o neuropediatra vão estar fazendo os laudos. E a gente tem o serviço psicossocial para auxiliar também na entrada de pedido de todos os benefícios”, contou.

Tirar famílias do sofrimento

Segundo o presidente do Movimento do Orgulho Autista Brasil (Moab), Edilson Barbosa, muitas crianças não tem o laudo e ficam também sem acesso às terapias. “Esse centro de referência será importante para tirar do sofrimento essas mães e os autistas”, arrematou.

Para o Moab, os novos Cretea deveriam ser abertos em Ceilândia (DF) e Planaltina (DF) ou Sobradinho (DF), mas na sequência todo DF deveria receber centros de referência. “Existem pessoas presas dentro de casa. Vimos a imagem de uma mãe alimentando seu filho dentro de uma grade. O autista sem terapias não vive, sobrevive”, comentou.

“O laudo dá acesso ao Passe-Livre, prioridade nas filas. Sem laudo os autistas são pessoas invisíveis”, emendou. O Moab vai fiscalizar a fila de regulação para o Cretea. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), o DF tem 34 mil pessoas com diagnóstico de TEA.

O deputado distrital Eduardo Pedrosa (União-DF), autor da emenda que deu origem ao Cretea, considerou que a inauguração de hoje ajuda às famílias, mas ainda há muito a se fazer. “Sabemos que ainda existem muitos desafios pela frente e esse é só o primeiro passo, uma sementinha que está sendo plantada para que a gente possa avançar e garantir, no futuro, um acompanhamento digno para as famílias: com diagnóstico, com terapias necessárias, com cuidado de verdade”, refletiu.

SAMia

O SAMia estava em operação em caráter de projeto piloto. Segundo Secretário de Saúde Juracy Cavalcante, o tema de Saúde Mental ganhou destaque no mundo após a pandemia de Covid. “Hoje nós temos que utilizar de todas as maneiras para estar abarcando esses pacientes”, argumentou.

O SAMia fará triagem e indicará o melhor encaminhamento. “Nós teremos orientações. Muitas vezes o familiar não sabe como se comportar mediante a um quadro de distúrbio ou surto. Então vai ter orientações. Com esse aplicativo vamos trazer mais acessibilidade e inclusão para fazer uma gestão melhor do paciente”, contou.

Do ponto de vista do serviço público, o aplicativo vai permitir para as equipes de saúde o monitoramento de toda linha de cuidado do paciente, em busca de políticas públicas mais assertivas. Por isso, o SAMia também vai gerar dados estatísticos da população atendida.

Casa da mãe atípica

Defensor e articulador do projeto de criação do Cretea, o deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil) classificou a inauguração do centro como uma “conquista humana”. Além da ampliação do centros, o parlamentar defendeu a criação da Casa da Mãe Atípica, para o acolhimento das mães.

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