Calçadas quebradas e insegurança: o estacionamento da Rodoviária 1 ano após concessão.
O Metrópoles foi até o local e constatou a falta de manutenção em algumas áreas. Pedestres e motoristas cobram melhorias

Em julho do ano passado, os estacionamentos nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto – que está sob a gestão do Consórcio Catedral – passaram a ser pagos. Mas será que, quase um ano depois do início da cobrança, houve alguma mudança além da instalação das cancelas?
De acordo com a Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF), em contrapartida à exploração do espaço, a concessionária deveria assumir a responsabilidade por um conjunto detalhado de intervenções nos estacionamentos.
Entre eles:
- Reparo de pavimentos, com a eliminação total de trincas e buracos.
- Fresagem e recomposição do revestimento asfáltico, além da aplicação de lama asfáltica.
- Sinalização: implementação de novos projetos de sinalização horizontal (com tinta termoplástica) e vertical, seguindo rigorosamente os padrões do Contran e do Detran-DF.
- Acessibilidade: readequação de guias e calçadas para atender aos padrões da norma NBR 9.050/2004 da ABNT.
- Urbanismo: pintura de meio-fio e guias, além da implementação de melhorias paisagísticas.
Só que, na prática, o Metrópoles constatou uma realidade um pouco diferente. Dentro dos bolsões de estacionamento, principalmente no que fica em frente ao shopping Conjunto Nacional, a situação do asfalto não é das melhores (veja acima).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFAlém disso, algumas das faixas de pedestres que ficam nos arredores estão apagadas, representando perigo para as milhares de pessoas que passam por lá todos os dias, principalmente durante a noite.
Outro detalhe notado pela reportagem: as calçadas que rodeiam as vagas em frente ao shopping, em determinados pontos, estão quebradas, dificultando mais ainda a passagem dos pedestres.
Em nota, o consórcio afirmou que todos os investimentos, a operação e as receitas do estacionamento da Rodoviária do Plano Piloto seguem as regras previstas no contrato de concessão.
Manutenção escassa
O analista Luis Felipe Botelho, 28 anos, passa pela rodoviária diariamente e acredita que só a organização deu “uma melhorada”. Porém, segundo ele, a manutenção ainda deixa a desejar.
“Quando a concessão iniciou, até fizeram uma pintura, porém, desde então, não tenho visto qualquer manutenção por aqui. As faixas (de pedestres) estão bem apagadas. Qualquer motorista que passe por aqui, principalmente à noite, pode não se atentar e acabar causando um acidente”, avaliou.
Na opinião do pedestre, as principais melhorias deveriam focar na sinalização e na presença humana. “Poderia ter alguém para nos orientar e mostrar qual é o melhor caminho. Dentro dos bolsões, por exemplo, a gente costuma dividir espaço com os carros e já presenciei situações em que quase ocorreram atropelamentos. Além disso, a sinalização poderia ser mais evidente e as calçadas deveriam estar em melhores condições”, observou.
“Como é uma concessão para a iniciativa privada, a gente espera que esse investimento ocorra por parte da empresa. Se estão recebendo, as melhorias deveriam aparecer no mesmo ritmo. Mudaram o arranjo do estacionamento, mas é preciso fazer o mesmo com as estruturas ao redor também”, ressaltou o analista.
Controle de acesso
Motoristas que precisam utilizar as vagas também reclamaram sobre o espaço. O bancário Roberto Duarte, 67, diz que não percebeu nenhuma melhoria ou investimento efetivo na segurança dos estacionamentos, desde o início da concessão.
“O sistema atual resume-se à instalação de cancelas. O retorno para quem estaciona, eu acho que não existe nenhum. Embora eu utilize o serviço diariamente, por necessidade, e pague o valor mensal, não vejo justificativa para essa concessão”, afirmou.
Para a dentista Lorrana Pires, 33, que tem um consultório no shopping e estaciona nas vagas todos os dias, também pagando mensalmente, até então, a concessão foi uma boa medida. “Antigamente, os flanelinhas tomavam conta e eu não me sentia nem um pouco segura com isso. Agora, com a cobrança pelas vagas, eles sumiram”, disse.
Porém, apesar de concordar com a dinâmica dos estacionamentos, ela ressaltou que “ainda não é a coisa mais segura”. “Para chegar no que eu acredito ser 100% seguro, falta uma vigilância mais constante, pois a gente não vê pessoas circulando no estacionamento. É basicamente um bolsão público com cancela”, opinou.
Vagas rotativas
Em nota, o Consórcio Catedral disse que a implantação da cobrança pelos estacionamentos restabeleceu a rotatividade das vagas, beneficiando diretamente os usuários e o comércio da região.
“Antes da mudança, parte significativa das vagas permanecia ocupada durante todo o dia por veículos de pessoas que utilizavam o transporte público para se deslocar a outras regiões, reduzindo a disponibilidade de estacionamento para consumidores que se dirigiam à Rodoviária para realizar compras, acessar serviços ou utilizar os estabelecimentos comerciais. Com o novo modelo, a maior oferta de vagas contribui para ampliar o acesso de clientes ao comércio local e melhorar a mobilidade no entorno da rodoviária”, pontuou.
A concessionária disse que o estacionamento regulamentado passou a oferecer um serviço estruturado, com monitoramento por câmeras, controle de acesso e cobertura securitária prevista para os veículos, proporcionando mais segurança e confiabilidade aos usuários. “Como balanço da operação, até o momento, não foi registrado nenhum caso de furto de veículo nas áreas de estacionamento administradas pela concessionária”, afirmou a nota.
O Metrópoles questionou o Consórcio Catedral sobre os valores arrecadados com os estacionamentos e quanto foi investido nas melhorias, porém, a resposta enviada disse apenas que “todos os investimentos, a operação e as receitas do estacionamento da Rodoviária do Plano Piloto seguem as regras previstas no contrato de concessão e são periodicamente apresentados ao GDF, com total transparência”.

















