Cachorro ajuda na recuperação de brasiliense e faz sucesso na internet

Estudos mostram que é cada vez mais comum os animais colaborarem para a reabilitação de pacientes dos mais variados casos clínicos

atualizado 10/03/2019 19:51

JP Rodrigues/ Metrópoles

O dia 25 de fevereiro de 2019 vai ser lembrado para sempre pelo advogado Fernando Mattar e a servidora pública Mariana Damasceno Correa, ambos com 38 anos. Juntos há seis meses, os dois namorados esperavam ansiosamente a chegada da cadelinha Aika, da raça shiba inu. Antes mesmo de desembarcar no Distrito Federal, o animal começou a promover mudanças importantes na vida do casal.

Alegria, leveza, bem-estar e brilho nos olhos. Assim foi possível identificar o que os tutores sentiram ao, finalmente, receberem Aika em casa. A espera de apenas dois meses foi planejada. Mariana e Fernando decidiram em dezembro adquirir um animal de estimação e iniciaram as pesquisas sobre a raça. A cadelinha nasceu em um canil de Curitiba (PR) e teve que completar 60 dias de vida para poder fazer a viagem. Recuperando-se de uma forte depressão, o advogado não imaginava que, mesmo antes de chegar, ela pudesse ajudar tanto em sua melhora.

Tudo começou três dias após o nascimento do filhote, em 1º de janeiro, no canil Shibas Akebono. “Durante as nossas pesquisas sobre a raça, achamos vários perfis no Instagram. Depois de tudo acertado, decidimos fazer uma página para a Aika também”, contou Fernando. O @aikathelittleshiba, inaugurado há dois meses, já conquistou 12 mil seguidores. “Foi impressionante. Nós não esperávamos tudo isso. Ela ainda nem havia chegado e não tínhamos qualquer pretensão de exposição”, contou Mariana.

Veja as fotos da pet famosa:

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“Uma surpresa boa que contribuiu bastante para as nossas decisões. A primeira delas foi optar por morar junto. Eu não pensava nisso ainda. Como passei por um problema de saúde emocional, tudo isso tem me ajudado consideravelmente. A questão de ocupar a cabeça, além do comprometimento e amor que já temos um pelo outro, tornou a chegada dela ainda mais especial”, comentou Fernando.

Desde que criaram a rede social para Aika, Fernando divide a rotina entre as obrigações diárias e os compromissos com a página dela na internet. “Tudo é responsabilidade dele. Só atingimos esse tanto de admiradores porque o Fernando se empenhou em tudo. Ele faz parcerias, mantém contato com outros donos e se sente útil e feliz”, afirmou Mariana.

Para ele, poder cuidar de um ser vivo traz benefícios para a pessoa deprimida. “Tive uma akita há alguns anos e era completamente apaixonado por ela. Como não pude criá-la, acredito que a Aika signifique o resgate desse amor. Ela preenche um vazio que tinha ficado. Bom para dar carinho e se sentir amado”, acrescentou o advogado.

Mariana também percebeu melhora significativa na recuperação do namorado. “Desde que estamos juntos, o Fernando abriu o jogo comigo e me dispus a ajudá-lo. Esta é a primeira vez que o vejo fazer planos. O tratamento tem altos e baixos, e trazer a Aika para o nosso convívio tomou parte da vida dele. Com o interesse em administrar as redes sociais, ele também começou a descobrir aptidões novas.”

A servidora disse ainda que a interação com os seguidores da cadelinha está rendendo boas amizades ao casal. “Também está sendo importante para ampliarmos o campo de amigos. Montamos um grupo de dogs da mesma raça que ela, no WhatsApp, é há muito entrosamento. É incrível essa troca”, completou Mariana.

Acredito que o importante é você sempre ter uma visão de futuro, para não ficar estagnado. E, neste momento, a Aika foi quem trouxe essa abertura para a gente. Somos só amor e gratidão.

Mariana Damasceno Correa, servidora pública

Animais que curam
Em entrevista ao Metrópoles, o psiquiatra Pedro dos Santos explicou que está se tornando cada vez mais comum os pets colaborarem para a recuperação de pacientes dos mais variados casos clínicos.

“Recentemente, diversos estudos começaram a revelar cientificamente os benefícios do vínculo humano-animal. A Associação Americana de Saúde do Coração ligou o convívio com animais de estimação, especialmente cães, a risco reduzido de doenças cardíacas e a maior longevidade”, disse o médico.

No Hospital de Apoio de Brasília (HAB), por exemplo, a cada 15 dias, a entrada de bichos de estimação e voluntários que participam da Atividade Assistida por Animais (AAA) é liberada. A iniciativa foi idealizada em 2016 pela organização não governamental (ONG) Pet Amigo. O programa conta com cerca de 50 voluntários e 25 cães.

Veja as fotos do projeto Pet Amigo:

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Segundo uma das coordenadoras e voluntárias do projeto, Lais Lopes, 23, a atividade tem o intuito de motivar, recrear e socializar, apresentando benefícios emocionais e cognitivos aos pacientes. “É o momento de tirar o foco do sofrimento e curtir a visita. Essas interações trazem o bem-estar para os assistidos”, explicou. De acordo com ela, os cães passam por uma avaliação veterinária rigorosa antes dos encontros. “Além do mais, são dóceis e extremamente sociáveis”, explicou.

O motorista Rafael de Souza Espíndola, 40, é filho da paciente Maria Terezinha de Souza, 58, que está no hospital há uma semana, em tratamento contra câncer no pulmão. Ele revela que a atividade lhe proporcionou a oportunidade de ver a mãe sorrir novamente. “É a primeira vez que ela recebe a visita dos cãezinhos, e ficou visivelmente feliz com a presença deles”, contou Rafael.

Quando os cachorros passam pelos corredores do hospital, a mudança no clima hospitalar é evidente. Acompanhantes, funcionários, médicos e pacientes são todos sorrisos e querem brincar com os animais. Para o médico Alexandre Lyra Lisboa, diretor do HAB, a ação tem o intuito de oferecer tratamentos cada vez mais humanizados aos assistidos.

“Esses cachorros trazem alegria para os pacientes e para os funcionários. A gente percebe o brilho nos olhos, e tudo o que venha para melhorar o relacionamento é bem-vindo.” Lisboa explica que na área de cuidados paliativos oncológicos, onde as pessoas estão vivendo seus últimos dias de vida, muitos enfrentam dores fortes e outros sintomas comuns a pacientes terminais.

A gente percebe que o cachorro é um facilitador da comunicação da equipe de saúde com o paciente.

Alexandre Lyra Lisboa, diretor do HAB

Voluntária
A fisioterapeuta Cristiana Pereira Moreira, 30, há dois anos integra o projeto com o seu cão, Benty Henrique, da raça dachshund. Ela conta que se sente realizada ao poder contribuir no aumento do bem-estar dos pacientes e familiares da unidade hospitalar.

“Esse é um trabalho de amor e entrega. Queremos fazer a diferença no dia deles, e a interação dos cães com o ser humano é uma troca de energia mútua. Por isso, a terapia pode ser benéfica também para os animais. Os cães aprendem a conviver, ficar mais calmos e se tornam mais dóceis em casa”, explica. Para ela, todos ganham com a ação. “A gente sai com uma energia renovada”, completa.

Para conhecer mais sobre a história da ONG Pet Amigo e ser voluntário, basta acessar a página do grupo na internet: www.petamigo.org.br. Quem quiser saber mais sobre a cadelinha Aika pode entrar no perfil do Instagram @aikathelittleshiba.

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