BRB opera normalmente após operação da PF e afastamento de presidente
Em nota, o BRB afirma que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance” em todas as operações relacionadas ao Banco Master
atualizado
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Horas após ser alvo de buscas, o Banco de Brasília (BRB) divulgou nota em que afirma que opera normalmente, “garantindo a continuidade integral dos serviços e preservando a segurança das operações, dos clientes, dos parceiros e de toda a sua estrutura operacional”.
Nesta terça-feira (18/11), a Justiça mandou afastar o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, por 60 dias. Assim como a sede da instituição financeira, localizada no Setor de Autarquias Norte (DF), ele também foi alvo de busca e apreensão.
O afastamento tem relação com a Operação Compliance Zero, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal (PF), que apura esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo o Banco Master.
Paulo Henrique está nos Estados Unidos, onde faz curso em Harvard.
Na nota, o BRB acrescenta que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”.
O BRB tem negócios com o Master e chegou a anunciar a aquisição da instituição, em março de 2025, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central.
“A instituição reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade e a integridade na condução de suas atividades”, acrescentou.
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) na madrugada desta terça no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai em seu jato particular.
O Metrópoles acionou o Master. O espaço segue aberto para manifestações.
Como funcionava o esquema
A investigação teve início em 2024, a partir de uma requisição do MPF, depois que o Banco Central (BC) detectou irregularidades na composição de carteiras de crédito usadas como lastro em operações financeiras.
Segundo os investigadores, uma instituição teria fabricado artificialmente títulos de crédito sem lastro real, carteiras consideradas “inexistentes” ou “insubsistentes”, e os vendido posteriormente a outra instituição financeira, entre elas, o BRB.
Após a fiscalização do BC, os papéis fraudulentos foram substituídos por outros ativos, também sem avaliação técnica ou lastro compatível. Para a PF, a manobra demonstra tentativa de acobertar o primeiro ilícito e aponta para um mecanismo estruturado de fraude envolvendo a alta cúpula das instituições envolvidas.
A investigação mira crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, além de possíveis delitos contra o sistema financeiro e o mercado de capitais.
Segundo a PF, o nome “Compliance Zero” faz referência ao “total desprezo pelas regras básicas de compliance” demonstrado pelos investigados, uma crítica direta ao que os agentes classificam como uma atuação deliberada para fraudar controles internos e externos.
Próximos passos
Os investigados serão ouvidos pela Polícia Federal e podem responder a processos criminais e sanções administrativas do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A PF também deve aprofundar a análise sobre a origem dos recursos movimentados e eventuais beneficiários finais das operações fraudulentas.
As demais instituições financeiras citadas ainda não se manifestaram publicamente sobre a operação.
A investigação segue sob sigilo.










