BRB afasta diretores investigados em operação policial e do MPF

Em reunião, Conselho de Administração afastou Nilban de Melo e Marco Aurélio Monteiro. Demais suspeitos também perderam os cargos

atualizado 29/01/2019 22:15

Hugo Barreto/Metrópoles

Dois integrantes da cúpula do Banco de Brasília (BRB) investigados na Operação Circus Maximus foram afastados de suas funções na noite desta terça-feira (29/1). A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração do BRB e afeta os integrantes da instituição financeira com mandado de prisão preventiva ou temporária.

Eles são investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) por participarem de um suposto esquema de pagamento de propinas, vantagem indevida e organização criminosa.

Os nomes foram anunciados em documento do BRB, chamado de Fato Relevante. “Em conformidade com a Instrução CVM nº 358/2002, o BRB – Banco de Brasília S.A. comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que, em virtude da operação deflagrada pela Polícia Federal, o Conselho de
Administração se reuniu extraordinariamente, em sua 676ª Reunião Extraordinária, e deliberou pelo afastamento dos senhores Nilban de Melo Júnior e Marco Aurélio Monteiro”, diz o documento.

Eles eram, até então, diretores Financeiro e de Relações com Investidores e de Serviços e Produtos, respectivamente. Os demais envolvidos também perderam os cargos. São eles o diretor de Negócios, Adonis Assumpção; a diretora de Recursos de Terceiros, Andréa Moreira; e o presidente da empresa BRB/DTVM, Carlos Vinícius Raposo Machado Costa, também alvos de mandados de prisão durante a investida da Polícia Federal.

Operação Circus Maximus, deflagrada na manhã desta terça-feira (29), apura um esquema criminoso instalado na cúpula do BRB que movimentou, segundo investigadores, R$ 400 milhões da instituição financeira – que tem 96,85% das ações ordinárias controladas pelo Governo do Distrito Federal. Os procuradores estimam que atividades fraudulentas movimentaram mais de R$ 40 milhões em propinas.

ReproduçãoA decisão
O titular da 10ª Vara Federal em Brasília, juiz Vallisney de Souza Oliveira, expediu 14 mandados de prisão contra investigados. O MPF e a Polícia Federal apuram um suposto esquema de pagamento de propinas em troca de investimentos em projetos.

Com base na investigação da força-tarefa da Greenfield, do Ministério Público Federal, o documento cita: o Edifício Praça Capital, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA); o LSH Lifestyle Hotel, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; e a reestruturação da dívida do jornal Correio Braziliense, que tem sede no Setor de Indústrias Gráficas (SIG).

 

O mandado do magistrado também autoriza a PF a cumprir mandados de busca e apreensão em 34 endereços de acusados que moram no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. Entre os alvos, está o presidente licenciado do BRB, Vasco Cunha Gonçalves, recém-nomeado para presidir o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). Depois das denúncias, Vasco renunciou ao cargo.

Vallisney ponderou que a operação foque “especificamente na busca das provas sobre os fatos narrados, nos locais indicados na representação do MPF, inclusive no que se refere à quebra dos sigilos de dados dos elementos encontrados, de qualquer natureza, inclusive de correspondências, de maneira que o MPF e a Polícia Federal possam examinar computadores e todas as demais mídias, e, se for o caso, sujeitá-os à perícia”, escreveu o juiz.

Alvos dos mandados de prisão preventiva:
Henrique Domingues Neto
Henrique Leite Domingues
Ricardo Luiz Peixoto Leal
Vasco Cunha Gonçalves
Nilban de Melo Júnior
Carlos Vinícius Raposo Machado Costa
Felipe Bedran Calil
Diogo Rodrigues Cuoco
Paulo Renato de Oliveira Figueiredo
Dílton Castro Junqueira Barbosa

Alvos dos mandados de prisão temporária:
Marco Aurélio Monteiro de Castro
Andréa Moreira Lopes
Adonis Assumpção Pereira Júnior
Felipe Bedran Calil Filho

Alvos de busca e apreensão:
Vasco Cunha Gonçalves
Adonis Assumpção Júnior
Adriana Fernandes Bijarra Cuoco
Andréa Moreira Lopes
Arthur César de Menezes Soares Filho
Carlos Vinícius Machado Raposo Costa
Dilton Castro Junqueira Barbosa
Dogo Rodrigues Cuoco
Felipe Bedran Calil
Felipe Bedran Calil Filho
Henrique Domingues Neto
Marcos Aurélio Monteiro de Castro
Naira Lee Paiva Domingues
Nathana Martins Bedran Calil
Nilban de Melo Júnior
Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho
Ricardo Luís Peixoto Leal

Outro lado
Todos os citados foram procurados pela reportagem. O BRB afirmou, em nota, apoiar e cooperar “integralmente com todos os órgãos competentes que conduzem a operação”. Informou, também, que a ação corre em segredo de Justiça e todas as informações serão repassadas exclusivamente às autoridades policiais. “O BRB adotará todas as medidas judiciais cabíveis visando preservar o banco e suas empresas controladas”, completou.

Segundo o LSH Hotel, os fatos investigados referem-se a um período anterior à atual administração da companhia. Pontuou, ainda, que a empresa colabora com a PF e o MPF. “O LSH Hotel se mantém operando normalmente e sem impacto para os hóspedes”, concluiu.

O advogado Marcelo Bessa, do Grupo Brasal, uma das empreiteiras responsáveis pelo Praça Capital, afirmou que “a empresa não cometeu nenhum ato ilícito, nem seus executivos. A companhia tem certeza que as investigações demonstrarão a lisura de seus atos e empreendimentos”.

Procurado, o Correio Braziliense afirmou que designará alguém para se pronunciar sobre o caso. Assim que a nota for enviada, será acrescentada nesta reportagem.

Por meio de nota, o Banestes informou que Vasco Cunha Gonçalves renunciou ao cargo de diretor-presidente da instituição na tarde desta terça-feira (29/1). “A renúncia foi formalizada em carta escrita de próprio punho e encaminhada ao governador do estado, tendo o Banestes informado a decisão ao mercado.”

Em função dos fatos tornados públicos na Operação Circus Maximus, totalmente alheios ao Banestes, a administração do banco designou o diretor de Tecnologia da instituição, Silvio Henrique Brunoro Grillo, para exercer interinamente o cargo de diretor-presidente, acumulando as duas funções.

O futuro diretor-presidente do Banestes será indicado pelo acionista controlador da companhia, o governo do Espírito Santo, e eleito pelo Conselho de Administração do banco, sendo posteriormente submetido à aprovação dos órgãos competentes. Ao mercado, o Banestes destacou que os fatos investigados “são referentes exclusivamente ao BRB”.

As defesas dos demais citados não haviam sido localizadas até a última atualização desta reportagem.

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