Brasiliense morto no RJ rompeu tornozeleira antes de alistamento no CV
Morto na operação mais letal do RJ, Érick Vieira de Paiva, de 21 anos, era monitorado por tornozeleira após ameaçar de morte a própria avó
atualizado
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Morto na megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, o brasiliense Érick Vieira de Paiva (foto em destaque), 21 anos, rompeu a tornozeleira eletrônica que usava antes de se unir ao Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro (RJ). O morador de Sobradinho II era monitorado no Distrito Federal por acusação de violência doméstica.
O equipamento de monitoramento havia sido instalado no início de setembro deste ano. Érick passou a ser monitorado após ameaçar de morte a própria avó.
A previsão era de que o jovem pudesse retirar a tornozeleira em dezembro. Todavia, antes mesmo que o prazo terminasse, o brasiliense rompeu o equipamento e se deslocou para o Rio de Janeiro.
A primeira prisão em flagrante de Érick por violência doméstica foi registrada em janeiro de 2024. A Polícia Militar do DF foi acionada para uma ocorrência de Lei Maria da Penha, na Vila Buritizinho, envolvendo um rapaz alterado, que estaria quebrando objetos no interior da casa.
À época, quem acionou a polícia foi a irmã de Érick, que relatou aos policiais ser vítima de violência psicológica por parte do rapaz, além de sofrer ameaças constantes.
De acordo com informações do processo judicial, a mulher detalhou que o comportamento do irmão mudava drasticamente quando ele ficava sob efeito de drogas. Durante uma discussão, Érick a ameaçou, dizendo: “Você acha que vai entrar na minha mente? Estão achando que sou moleque. Fique sabendo que estou louco para decepar a cabeça de um e te esquartejar”.
Érick também foi preso em flagrante novamente, em março deste ano, por outra ocorrência de violência doméstica. Desta vez, a vítima foi a avó. A Justiça do Distrito Federal concedeu medidas protetivas de urgência para a vítima após a idosa sofrer agressões verbais e ameaças do neto.
Em depoimento prestado à autoridade policial, a idosa relatou que Érick estava a ameaçando e injuriando. Ela havia acolhido o neto após a mãe dele o colocar para fora de casa, há cerca de dois anos.
Porém, com o passar do tempo, o jovem teria ficado agressivo e começado a ofendê-la com palavras como “capeta, lixo, desgraça”. De acordo com a vítima, o neto também demostrava agressividade, chutando objetos e jogando coisas para longe.
A idosa decidiu registrar ocorrência contra o neto após ser ameaçada de morte por ele. Érick teria dito para a avó que, se ela não repassasse o aluguel de uma casa, ele iria destruir o imóvel e “cortar a cabeça” dela. Além disso, o rapaz também falou que não era para a vítima brigar com ele, pois “ele era bandido”.
Tentativa de homicídio
Em abril deste ano, o rapaz foi condenado pelo Tribunal do Júri de Sobradinho a 8 anos de reclusão, inicialmente em regime semiaberto, por tentativa de homicídio contra um desafeto. Porém, a defesa do suspeito entrou com recurso e obteve parecer favorável da Justiça, que diminuiu a pena para 6 anos. O crime aconteceu em junho de 2023, na Quadra Central de Sobradinho. Na ocasião, Érick desferiu golpes de faca em um jovem.
De acordo com as diligências conduzidas pela 13ª Delegacia de Polícia, o esfaqueamento teria ocorrido em razão de desentendimento anterior, motivado por ingestão de bebida alcoólica.
No dia do ataque, os dois homens começaram uma discussão verbal. Durante a briga, o autor pegou uma faca e passou a desferir golpes contra a vítima, que conseguiu correr e pedir ajuda em uma farmácia. Érick respondeu pelo crime em liberdade.
DF na mira do crime organizado
Ao Metrópoles o delegado-chefe da 13ª DP (Sobradinho), Hudson Maldonado, responsável por elucidar a tentativa de homicídio cometida por Érick afirmou que não há conhecimento de que o rapaz estivesse envolvido com o crime organizado no DF.
“Posso afirmar que, em Sobradinho, ele não teve envolvimento com facção. Senão, nós teríamos tido conhecimento rapidamente. Ele não teve chance nenhuma de escalar no crime aqui. Ele tentou cometer homicídio, foi indiciado e condenado. Depois, ameaçou a irmã e também foi preso. Então, ele foi em busca de melhores condições de delinquir no Rio de Janeiro”, ponderou o delegado.
A PCDF foi acionada pela Polícia Civil do Rio para colaborar na investigação sobre os vínculos de Érick com o Comando Vermelho, que vem atraindo criminosos de outras unidades da Federação para integrar o braço fluminense da facção.
A Megaoperação Contenção apontou que pelo menos 40 dos mortos eram de fora do Rio, incluindo integrantes do seguintes estados: Pará, Amazonas, Bahia e Goiás. O cruzamento de dados e perfis criminais está sendo tratado com prioridade pela polícia brasiliense, diante do risco de expansão do CV na capital federal.
A força-tarefa deflagrada contra o Comando Vermelho tornou-se a mais letal da história do Rio de Janeiro. Além dos quatro policiais que perderam a vida em confrontos nos complexos do Alemão e da Penha, a megaoperação resultou em 117 suspeitos baleados e mortos após abrirem fogo durante as abordagens.
















