Blogueira sem CNH se envolve em acidente no DF, e feridos sofrem com sequelas
No carro da jovem de 18 anos havia latas de cerveja. Motorista do outro veículo teve isquemia após a colisão
atualizado
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Um acidente de trânsito envolvendo o carro conduzido por uma jovem que não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH) trouxe sequelas graves para o motorista do veículo atingido. O caso ocorreu em 13 de dezembro e é investigado pela Polícia Civil (PCDF).
Naquele dia, o empresário Victor Nicoleto, 39 anos, dirigia no Eixo L, altura da 216 Norte, quando seu carro foi acertado pelo de Gabriela Kummel, 18. Na hora, ele só sentiu dores no peito, porém, cinco dias depois, conforme laudo médico ao qual o Metrópoles teve acesso, o motorista sofreu isquemia, ficou internado e quase perdeu a vida.
Victor estava com a esposa, o filho de 3 anos e a babá na hora da colisão. Ele ficou no local do acidente, enquanto os parentes e a funcionária foram levados ao hospital. Nesse momento, descobriu que Gabriela não tinha habilitação e que havia diversas latas de cerveja no veículo da jovem.
“Ela entrou no Eixinho de uma vez e bateu na lateral do meu carro. Eu estava a 60km/h. Na hora, só senti uma dor no peito, depois vieram as consequências. A motorista estava muito alterada, se recusou a fazer o bafômetro. Eu quase morri e, até agora, nem depoimento ela prestou. A jovem foi retirada do local do acidente e não se responsabilizou por nada”, disse Victor ao Metrópoles.
Veja fotos do acidente:
Até a véspera de Natal, 24 de dezembro, o empresário estava internado. Segundo laudo médico, após angioressonância magnética cervical, verificou-se que a veia carótida de Victor ficou obstruída devido ao trauma.
“Os médicos disseram que só sobrevivi por sorte. Tive 80% de chance de morrer. As sequelas só vieram depois do acidente. Agora, terei de fazer tratamento, ficar de repouso total, porque o meu cérebro só está sendo bombeado com sangue de um lado”, relatou o empresário.
Gabriela Kümmel não prestou depoimento na delegacia nem após o acidente. Ela foi liberada pela Polícia Militar depois de sua mãe chegar ao local da colisão: a jovem alegou dores e recebeu permissão dos PMs para ir ao médico.
Depois disso, Victor afirmou não ter tido mais contato com a família da condutora inabilitada.
“Eles não prestaram nenhuma solidariedade, nada. Nenhum telefonema. A adolescente provoca um acidente grave comigo e com minha família e não sofre nada (judicial e penalmente). Ela precisa ser responsabilizada. Enquanto meu filho quase fica sem pai, ela está postando foto no Instagram para seus seguidores”, revoltou-se Victor.
Confira postagens da jovem:
Versão de Gabriela
A reportagem do Metrópoles entrou em contato com o advogado de Gabriela, que se intitula como blogueira no Instagram. Ricardo Freire explicou que a cliente ainda não prestou depoimento na polícia porque está com Covid-19. Ela e a família teriam testado positivo após o acidente, segundo informou o advogado.
“Ela ficou internada no hospital por estar abalada emocionalmente. Depois, testou positivo para coronavírus. Somente por isso ainda não entramos em contato com a família. Estão todos de quarentena”, afirmou o defensor.
Segundo Freire, a versão de sua cliente para o acidente diverge da do empresário. O advogado alega que Victor dirigia em alta velocidade e que Gabriela estava com o carro parado no cruzamento quando foi atingida. “Uma coisa é a falta da habilitação, outra coisa é a dinâmica do acidente. Vamos aguardar a perícia para saber [quem é] o culpado”, assinalou.
De acordo com o defensor da jovem, as latas de cerveja no carro de Gabriela eram de amigos e não tinham sido consumidas por sua cliente. “Ela não bebe. Não fez o bafômetro porque estava transtornada psicologicamente”, ressaltou o advogado.
Quanto ao depoimento e ao andamento do inquérito, Freire pontuou que tudo depende da polícia, que está em recesso devido às comemorações de fim de ano.
Investigação
O caso começou a ser apurado na 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), mas hoje corre na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte).
Conforme o boletim do caso, ao qual o Metrópoles teve acesso, o policial militar responsável pela ocorrência disse que, “ao verificar que Gabriela não era habilitada, tentou encaminhá-la à 5ª DP para realização do flagrante”. No entanto, o PM registrou que ela começou a sentir dores e precisou ser levada a uma unidade de saúde.
Inicialmente, ela iria com os bombeiros, mas a mãe de Gabriela chegou ao local do acidente e a levou ao hospital Santa Helena em carro particular. Segundo o militar, Gabriela se recusou a fazer o bafômetro.












